FMC/HEAA - Faculdade de Medicina de Campos - Hospital Álvaro Alvim (RJ) — Prova 2020
Mulher de 54 anos de idade, com fibrilação atrial, está anticoagulada com 5 mg/dia de varfarina. Ela desenvolveu uma infecção de trato urinário que foi tratada com ciproflaxocina 250 mg via oral, de 12 em 12 horas, por 7 dias. Ela chega ao serviço de emergência queixando-se de sangue na urina e ocorrência fácil de hematomas. O exame físico mostra equimoses nos braços. A urina está avermelhada, mas não há coágulos. Após infundir 100 ml de solução salina estéril em sua bexiga, a urina retorna com apenas uma tonalidade rósea. O exame de urina de rotina mostra de 3 a 5 leucócitos por campo e várias hemácias por campo. Não há bactérias presentes. O INR é de 7.0. Qual é a melhor abordagem da coagulopatia desta paciente?
INR 7.0 com sangramento leve por varfarina → Vitamina K 1mg SL/VO para reverter anticoagulação.
A ciprofloxacina pode inibir o metabolismo da varfarina, elevando o INR. Com INR 7.0 e sangramento leve (hematúria microscópica, equimoses), a conduta é administrar uma dose baixa de vitamina K (1mg) por via oral ou sublingual, para reverter a anticoagulação sem causar resistência futura à varfarina.
A varfarina é um anticoagulante oral amplamente utilizado, especialmente em pacientes com fibrilação atrial, para prevenir eventos tromboembólicos. Seu efeito é monitorado pelo INR, que deve ser mantido em uma faixa terapêutica específica. Interações medicamentosas são comuns e podem alterar significativamente o INR, aumentando o risco de sangramento. A ciprofloxacina, um antibiótico fluoroquinolona, é um conhecido inibidor do citocromo P450, que metaboliza a varfarina. A coadministração pode levar a um aumento acentuado do INR, como visto no caso (INR 7.0). O sangramento leve, como hematúria microscópica e equimoses, indica a necessidade de intervenção. O manejo do INR elevado com sangramento leve (INR 4.5-10 sem sangramento significativo ou com sangramento leve) geralmente envolve a suspensão temporária da varfarina e a administração de doses baixas de vitamina K (0.5-2 mg, preferencialmente 1 mg) por via oral ou sublingual. Doses intravenosas ou muito altas de vitamina K são reservadas para sangramentos graves ou INR > 10, pois podem causar resistência à varfarina.
A ciprofloxacina inibe o citocromo P450, diminuindo o metabolismo da varfarina e aumentando seu efeito anticoagulante, o que leva à elevação do INR.
Para um INR de 7.0 com sangramento leve (hematúria microscópica, equimoses), a conduta recomendada é a administração de 1 mg de vitamina K por via oral ou sublingual.
Doses altas de vitamina K podem causar resistência prolongada à varfarina, dificultando a reanticoagulação e aumentando o risco de eventos trombóticos futuros.
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