HUSE - Hospital de Urgência de Sergipe Gov. João Alves Filho — Prova 2020
Motociclista, 24 anos de idade, sem capacete, sofre traumatismo cranioencefálico ao ser atingido por um carro. Chega ao HUSE em protocolo de imobilização. Inconsciente, não responde a estímulos verbais ou dolorosos e não mexe os membros. A PA é de 70 X 60 mmHg, a FC de 40 batimentos por minuto e com SatO2: 95% com suplementação de O2 por máscara. O primeiro passo no tratamento deste paciente é:
TCE grave + inconsciência → prioridade absoluta é garantir via aérea definitiva.
Em pacientes com traumatismo cranioencefálico grave e rebaixamento do nível de consciência, a proteção da via aérea é a primeira e mais crítica etapa para prevenir hipóxia cerebral secundária, mesmo diante de outros sinais de instabilidade hemodinâmica.
O manejo inicial do paciente traumatizado segue os princípios do Advanced Trauma Life Support (ATLS), que estabelece uma sequência de prioridades para identificar e tratar lesões com risco de vida. A avaliação primária (ABCDE) é crucial, começando pela via aérea (A) com controle da coluna cervical. A identificação rápida de um TCE grave, como no caso de um paciente inconsciente, exige a proteção imediata da via aérea para garantir oxigenação e ventilação adequadas. A obtenção de uma via aérea definitiva, geralmente por intubação orotraqueal, é fundamental para prevenir a hipóxia e a hipercapnia, que são os principais fatores de lesão cerebral secundária em pacientes com TCE. A hipotensão e a bradicardia, embora graves, devem ser abordadas após a garantia da via aérea e ventilação, pois a hipóxia pode ser a causa subjacente ou um fator agravante. O choque neurogênico, embora possível, não anula a prioridade da via aérea. A compreensão desta sequência é vital para residentes, pois a falha em priorizar a via aérea pode levar a desfechos neurológicos devastadores. A estabilização hemodinâmica e a investigação diagnóstica (como TC de crânio) são passos importantes, mas secundários à garantia de uma via aérea patente e ventilação eficaz.
Sinais como Escala de Coma de Glasgow menor ou igual a 8, incapacidade de proteger a via aérea, hipóxia ou hipercapnia, e risco de aspiração indicam a necessidade de intubação orotraqueal.
A via aérea definitiva previne a hipóxia e a hipercapnia, que são fatores que podem agravar a lesão cerebral secundária e piorar o prognóstico do paciente com TCE.
O choque neurogênico, causado por lesão medular, cursa com hipotensão e bradicardia, além de perda do tônus vasomotor. Outras causas de choque no trauma geralmente cursam com taquicardia.
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