USP/HCFMUSP - Hospital das Clínicas da FMUSP (SP) — Prova 2023
Homem, 33 anos, vítima de acidente de motocicleta em alta velocidade. Foi intubado na cena devido à inconsciência. Condições na admissão no Serviço de Emergência:I – entubado, saturação de O₂ 85%, colar cervical;II – escoriação no tórax direito, ausculta diminuída à direita, sem enfisema de subcutâneo;III – PA 140x80 mmHg, FC 100 bpm, FAST negativo.IV – escala de Coma de Glasgow de 3T, sedado;V – fratura exposta de perna direita.Encaminhado para tomografia Qual deve ser a conduta com relação ao trauma de tórax?
Saturação O₂ 85% + ausculta ↓ à direita pós-trauma → suspeitar pneumotórax/hemotórax → DRENAGEM TORÁCICA IMEDIATA.
A baixa saturação de oxigênio e a ausculta pulmonar diminuída à direita em um paciente intubado pós-trauma de alta energia são sinais de comprometimento respiratório grave, sugerindo pneumotórax ou hemotórax. A conduta inicial prioritária é a drenagem torácica para restabelecer a ventilação e oxigenação.
O trauma torácico é uma causa significativa de morbimortalidade em pacientes vítimas de acidentes de alta energia, como os de motocicleta. A avaliação inicial segue os princípios do ATLS (Advanced Trauma Life Support), priorizando a via aérea, respiração e circulação. A hipoxemia e a ausculta pulmonar diminuída são sinais de alerta para lesões torácicas graves que comprometem a ventilação. No cenário descrito, a saturação de O₂ de 85% e a ausculta diminuída à direita em um paciente intubado sugerem um pneumotórax (simples ou hipertensivo) ou hemotórax. Um pneumotórax hipertensivo é uma emergência médica que requer descompressão imediata para evitar colapso cardiovascular. Mesmo um pneumotórax simples ou hemotórax significativo pode causar hipoxemia grave e necessitar de drenagem. A drenagem torácica é a conduta definitiva para aliviar a pressão intratorácica e permitir a reexpansão pulmonar, melhorando a oxigenação. A ventilação mecânica, embora necessária, não resolve a causa da hipoxemia se houver uma lesão compressiva. A tomografia é um exame complementar importante, mas deve ser realizada após a estabilização do paciente e resolução das ameaças à vida.
Sinais incluem dispneia, taquipneia, hipoxemia, ausculta pulmonar diminuída ou abolida no lado afetado, desvio de traqueia (pneumotórax hipertensivo) e instabilidade hemodinâmica, que requerem intervenção imediata.
A primeira conduta é a descompressão imediata com agulha (toracocentese de alívio) no segundo espaço intercostal na linha hemiclavicular, seguida pela drenagem torácica com selo d'água, sem esperar por exames de imagem.
A tomografia de tórax é indicada após a estabilização do paciente para detalhar as lesões torácicas, planejar o tratamento definitivo e identificar outras lesões não evidentes na avaliação inicial, mas não deve atrasar medidas salvadoras.
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