Trauma Abdominal: Manejo Inicial e Choque Hipovolêmico

SMS-SP - Secretaria Municipal de Saúde de São Paulo — Prova 2019

Enunciado

 Um homem, 29 anos, sofreu trauma contuso em acidente de carro há 2 horas e queixa-se de dor abdominal. Ao exame apresentase consciente, orientado, em choque grau III, murmúrio vesicular presente e simétrico, abdome doloroso à palpação, sem sinais de irritação peritoneal. A sequência correta de conduta é

Alternativas

  1. A) oxigênio suplementar, lavado peritoneal diagnóstico e drenagem torácica.
  2. B) FAST, e transfusão sanguínea e laparotomia exploradora. 
  3. C) FAST, tomografia abdominal e reposição volêmica.
  4. D) transfusão sanguínea, lavado peritoneal diagnóstico e laparotomia exploradora. 
  5. E) oxigênio suplementar, reposição volêmica, e FAST.

Pérola Clínica

Trauma abdominal + choque grau III → ABCDE: Oxigênio, Reposição Volêmica (cristaloides), FAST.

Resumo-Chave

Em pacientes vítimas de trauma com sinais de choque hipovolêmico, a prioridade é estabilizar o paciente seguindo o protocolo ATLS. Isso inclui oxigenação adequada, reposição volêmica agressiva com cristaloides e identificação rápida da fonte do sangramento com exames como o FAST, antes de considerar exames mais complexos ou cirurgia.

Contexto Educacional

O manejo inicial do trauma é uma das habilidades mais críticas para qualquer médico, especialmente para residentes. O protocolo ATLS (Advanced Trauma Life Support) estabelece uma abordagem sistemática para a avaliação e tratamento de pacientes traumatizados, priorizando a identificação e correção de condições que ameaçam a vida. A avaliação primária (ABCDE) é fundamental para estabilizar o paciente antes de prosseguir com investigações mais aprofundadas. No caso de trauma abdominal contuso com choque hipovolêmico, a sequência correta de conduta visa restaurar a perfusão tecidual e identificar a fonte do sangramento. Oxigênio suplementar e reposição volêmica agressiva com cristaloides são as primeiras medidas. O FAST (Focused Assessment with Sonography for Trauma) é uma ferramenta diagnóstica rápida e essencial para detectar hemorragia interna em pacientes instáveis, guiando a decisão por uma laparotomia exploradora de urgência. A tomografia abdominal, embora mais detalhada, é reservada para pacientes hemodinamicamente estáveis. Compreender a classificação do choque e a aplicação prática do ATLS é crucial para a prova de residência e para a prática clínica. A estabilização hemodinâmica precede exames complementares em pacientes instáveis, e a reavaliação contínua é imperativa. A falha em seguir essa sequência pode levar a desfechos desfavoráveis.

Perguntas Frequentes

Quais são os sinais de choque hipovolêmico grau III no trauma?

O choque hipovolêmico grau III é caracterizado por perda de 30-40% do volume sanguíneo, com taquicardia (>120 bpm), hipotensão, taquipneia (30-40 irpm), diminuição da pressão de pulso, oligúria e alteração do estado mental.

Qual a importância do FAST no trauma abdominal?

O FAST é uma ferramenta diagnóstica rápida e não invasiva para identificar líquido livre (sangue) na cavidade peritoneal, pericárdio e tórax, auxiliando na decisão de laparotomia exploradora em pacientes instáveis.

Por que a tomografia abdominal é contraindicada em pacientes instáveis com trauma?

A tomografia abdominal requer que o paciente esteja estável e possa ser transportado para o aparelho. Em pacientes instáveis, o tempo gasto no transporte e no exame pode atrasar intervenções salvadoras, como a cirurgia.

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