Trauma Raquimedular: Quando Retirar a Prancha Rígida?

SUS-SP - Sistema Único de Saúde de São Paulo — Prova 2015

Enunciado

Vítima de queda de 6 metros de altura, um operário de 45 anos chega ao pronto socorro por transporte aéreo, com suspeita de lesão vertebro medular. Avaliação na sala de emergência: A: Via aérea pérvia. B: Murmúrio vesicular presente bilateralmente; saturação de O2: 98%, com máscara de O2. C: Pulso: 90 bpm, PA: 130 × 80 mmHg; sem sangramento externo. D: Glasgow: 15; comprometimento da sensibilidade e da motricidade de membros inferiores. E: Hematoma em dorso, ao nível de L1. Durante a avaliação inicial, a prancha rígida deve ser retirada:

Alternativas

  1. A) após as radiografias ou tomografias apropriadas.
  2. B) logo que possível, geralmente durante a avaliação secundária, e o pacientemovimentado apenas em monobloco.
  3. C) imediatamente, se o paciente não tiver dor cervical, já que tem Glasgow 15.
  4. D) apenas após a avaliaçãodo neurocirurgião ou do ortopedista, por ordem de um deles.
  5. E) apenas quando o doente já estiver no centro cirúrgico, pronto para a fixação da coluna.

Pérola Clínica

Prancha rígida deve ser removida o mais rápido possível na avaliação secundária para evitar lesões por pressão.

Resumo-Chave

A prancha rígida é essencial para o transporte seguro de pacientes com suspeita de lesão vertebromedular, mas seu uso prolongado pode causar lesões por pressão e desconforto. Portanto, deve ser retirada o mais breve possível, geralmente durante a avaliação secundária, mantendo a coluna imobilizada com movimentação em monobloco.

Contexto Educacional

O manejo inicial do paciente vítima de trauma, especialmente com suspeita de lesão vertebromedular, segue os princípios do Advanced Trauma Life Support (ATLS). A imobilização da coluna vertebral com colar cervical e prancha rígida é uma medida crucial no pré-hospitalar e na chegada ao pronto-socorro para prevenir lesões secundárias à medula espinhal. No entanto, a prancha rígida não é um dispositivo de imobilização definitiva e seu uso prolongado é associado a complicações. A prancha rígida, embora vital para o transporte seguro, pode causar dor, desconforto e, mais importante, lesões por pressão na pele e tecidos moles devido à compressão prolongada. Por isso, a diretriz atual preconiza que ela seja retirada o mais rápido possível, assim que a avaliação primária estiver completa e o paciente hemodinamicamente estável, geralmente durante a avaliação secundária. A remoção deve ser feita com a técnica de "log roll" (movimentação em monobloco), mantendo a coluna alinhada, e o paciente deve ser transferido para uma superfície mais confortável, como um colchão a vácuo ou o leito hospitalar. É um erro comum, e potencialmente prejudicial, manter o paciente na prancha rígida por horas enquanto se aguardam exames de imagem ou a avaliação de especialistas. A decisão de retirar a prancha não depende da confirmação radiológica da lesão, mas sim da estabilidade clínica e da capacidade de manter a imobilização da coluna por outros meios. Residentes e estudantes devem estar cientes da importância da remoção precoce para otimizar o conforto do paciente e prevenir complicações.

Perguntas Frequentes

Qual o objetivo da prancha rígida no trauma?

A prancha rígida tem como objetivo imobilizar a coluna vertebral durante o transporte de pacientes com suspeita de lesão raquimedular, minimizando movimentos que poderiam agravar a lesão neurológica.

Quando a prancha rígida deve ser removida?

A prancha rígida deve ser removida o mais rápido possível, geralmente durante a avaliação secundária no pronto-socorro, após a estabilização inicial do paciente e a garantia de que a coluna pode ser mantida imobilizada por outros meios, como o colchão a vácuo ou o leito hospitalar.

Quais os riscos de manter o paciente na prancha rígida por muito tempo?

O uso prolongado da prancha rígida aumenta o risco de lesões por pressão na pele, especialmente em proeminências ósseas, além de causar dor e desconforto significativos ao paciente, podendo também dificultar a avaliação respiratória.

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