Sepse Urinária em Diabéticos: Conduta Imediata e Antibióticos

ENARE/ENAMED — Prova 2026

Enunciado

Mulher de 62 anos, com histórico de infecções do trato urinário de repetição, dá entrada em Unidade de Pronto Atendimento (UPA) com quadro de febre alta e calafrios. A paciente é portadora de diabetes mellitus tipo 2, em tratamento regular com metformina e glicazida. À admissão apresenta-se com pressão arterial de 110 x 70 mmHg, frequência cardíaca de 106 bpm, frequência respiratória de 25 irpm e temperatura axilar de 38 °C. Os exames laboratoriais indicam hemoglobina de 12,3 g/dL e hematócrito de 36%; leucocitos de 14.000/mm³ (valor de referência: 6.000 a 10.000/mm³), com 84% de neutrófilos e 12% de bastonetes; plaquetas de 210.000/mm³. A conduta para o caso deve ser recomendar

Alternativas

  1. A) tratamento com antitérmico, hidratação oral vigorosa e observação na unidade hospitalar.
  2. B) tratamento com esquema antibiótico de amplo espectro, ainda na 1ª hora da chegada da paciente.
  3. C) tratamento com cobertura contra Candida sp, por se tratar de infecção urinária de repetição em paciente diabética.
  4. D) tratamento com antibiótico de amplo espectro, mantido durante todo o curso de tratamento, mesmo após os resultados das culturas.

Pérola Clínica

Suspeita de sepse (SIRS + foco infeccioso) → Iniciar antibiótico de amplo espectro = Dentro da 1ª hora (golden hour).

Resumo-Chave

Pacientes com suspeita de sepse, como febre, taquicardia, taquipneia e leucocitose com desvio à esquerda, especialmente com foco infeccioso claro (ITU de repetição em diabética), exigem início imediato de antibioticoterapia de amplo espectro, idealmente na primeira hora da admissão, para melhorar o prognóstico.

Contexto Educacional

A questão ilustra um cenário clínico comum e de alta gravidade em pronto-atendimento: a sepse. A paciente, uma mulher diabética com histórico de infecções urinárias de repetição, apresenta-se com febre alta, calafrios e sinais claros de Síndrome da Resposta Inflamatória Sistêmica (SIRS), com leucocitose e desvio à esquerda. Este quadro é altamente sugestivo de urosepse, uma condição que exige intervenção médica imediata. O manejo da sepse é uma corrida contra o tempo. As diretrizes atuais enfatizam a importância da "golden hour", período em que a administração de antibióticos de amplo espectro, após a coleta de culturas, e a ressuscitação volêmica devem ser iniciadas. Atrasos no tratamento antibiótico estão diretamente associados a um aumento na mortalidade. Portanto, a conduta mais adequada é iniciar a antibioticoterapia de amplo espectro na primeira hora, visando cobrir os patógenos mais prováveis enquanto se aguardam os resultados das culturas para posterior ajuste da terapia.

Perguntas Frequentes

Quais são os critérios de SIRS e sua importância na sepse?

Os critérios de SIRS incluem temperatura >38°C ou <36°C, FC >90 bpm, FR >20 irpm ou PaCO2 <32 mmHg, e leucócitos >12.000 ou <4.000 ou >10% bastonetes. A presença de ≥2 critérios de SIRS com foco infeccioso sugere sepse.

Por que a 'golden hour' é tão importante no tratamento da sepse?

A 'golden hour' refere-se à importância crítica de iniciar a antibioticoterapia de amplo espectro e outras medidas de suporte (como expansão volêmica) dentro da primeira hora do reconhecimento da sepse, pois cada hora de atraso aumenta significativamente a mortalidade.

Qual a relevância do diabetes mellitus como fator de risco para infecções?

O diabetes mellitus compromete a imunidade, a função leucocitária e a circulação, tornando os pacientes mais suscetíveis a infecções graves e com maior risco de complicações, como sepse e choque séptico, especialmente em infecções do trato urinário.

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