FELUMA/FCM-MG - Fundação Educacional Lucas Machado - Ciências Médicas (MG) — Prova 2024
Idosa, 65 anos, portadora de obesidade, hipertensão e diabetes de tratamento irregular, além de insuficiência venosa. Admitida em contexto de dor em membros inferiores e redução do débito urinário. Ao exame físico, paciente encontrava-se sonolenta e hipotensa, sendo notado presença de úlcera em maléolo medial, com presença de secreção purulenta. Negou internações recentes ou uso de antibióticos nos últimos três meses. Sobre o contexto clínico apresentado, assinale a alternativa que contempla o conjunto de condutas a serem tomadas na primeira hora do atendimento.
Sepse: Coleta de culturas + ATB empírico amplo + cristaloides na 1ª hora. Cobrir Gram-negativos, Gram-positivos e anaeróbios.
Em casos de sepse, a prioridade é a identificação rápida (culturas) e o início imediato de medidas de suporte (hidratação) e antibioticoterapia de amplo espectro, cobrindo os patógenos mais prováveis, especialmente em pacientes com comorbidades e foco infeccioso evidente.
O manejo da sepse e do choque séptico é uma emergência médica que exige reconhecimento rápido e intervenção imediata para reduzir a mortalidade. Pacientes idosos com múltiplas comorbidades, como obesidade, hipertensão e diabetes, apresentam maior risco de desenvolver sepse grave e desfechos desfavoráveis. A presença de uma úlcera purulenta em membro inferior é um foco infeccioso claro, que pode levar à bacteremia e sepse. As condutas na primeira hora do atendimento são críticas e seguem o protocolo 'Bundle da Primeira Hora' da Campanha Sobrevivendo à Sepse. Isso inclui a coleta de culturas (hemoculturas e de outros focos suspeitos, como a secreção da úlcera) antes do início dos antibióticos, a administração de antibióticos de amplo espectro e a ressuscitação volêmica com cristaloides para corrigir a hipotensão. A escolha do antibiótico empírico deve considerar o perfil do paciente, os patógenos mais prováveis e o padrão de resistência local. Para este caso, a combinação de ceftriaxona (cobrindo Gram-negativos e alguns Gram-positivos) e clindamicina (cobrindo anaeróbios e Gram-positivos, incluindo muitos estafilococos e estreptococos, importantes em infecções de pele e partes moles) é uma escolha racional. A avaliação da função renal, hemograma e gasometria são essenciais para monitorar a disfunção orgânica e guiar o tratamento. Residentes devem estar aptos a iniciar este manejo de forma ágil e eficaz.
Na primeira hora, devem ser coletadas hemoculturas (pelo menos duas amostras de sítios diferentes), hemograma completo, função renal (ureia e creatinina), eletrólitos, gasometria arterial, lactato sérico, coagulograma e bilirrubinas. Outros exames podem ser necessários dependendo do foco infeccioso suspeito.
A hidratação volêmica com cristaloides é crucial para restaurar a perfusão tecidual e corrigir a hipotensão causada pela vasodilatação e aumento da permeabilidade capilar na sepse. A meta é administrar 30 mL/kg de cristaloides nas primeiras 3 horas, ajustando conforme a resposta hemodinâmica do paciente.
A ceftriaxona oferece cobertura para Gram-negativos e alguns Gram-positivos, sendo adequada para infecções graves. A clindamicina adiciona cobertura para anaeróbios e muitos Gram-positivos, incluindo Staphylococcus aureus (não MRSA), o que é relevante para infecções de pele e partes moles, como a úlcera purulenta apresentada pela paciente.
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