Manejo de Queimaduras: Conduta Inicial e Reposição Volêmica

UFPA/HUJBB - Hospital Universitário João de Barros Barreto - Belém (PA) — Prova 2018

Enunciado

Paciente do sexo masculino, 35 anos, vítima de queimadura de segundo grau por fogos de artifícios acometendo face, pescoço anterior, membros superiores, tronco anterior e genitália. Chegou ao pronto-atendimento 3 horas após o ocorrido, trazido pela equipe do SAMU, consciente e orientado, PA: 100/70 mmHg, FC: 90 bpm, referindo dor intensa, SO2 97%. Ao exame físico, foi evidenciado chamuscamento nas vibrissas nasais. Sobre esse caso, é incorreto afirmar:

Alternativas

  1. A) Pela “regra dos nove”, a área de superfície corporal queimada foi de 41,5%.
  2. B) A conduta inicial é controlar a via área, interromper o processo de queimadura e garantir acessos venosos.
  3. C) As bolhas devem ser rompidas e deve-se aplicar compressas úmidas sobre a área queimada.
  4. D) A fórmula para reposição volêmica é de 2 a 4 ml de ringer lactato por K g de peso corporal por porcentagem de superfície corporal queimada nas primeiras 24 horas.
  5. E) Deve-se providenciar a transferência do paciente para centro especializado de queimados.

Pérola Clínica

Queimaduras: Nunca romper bolhas ou aplicar compressas úmidas em grandes áreas; priorizar via aérea e Parkland.

Resumo-Chave

Em queimaduras de segundo grau, as bolhas intactas devem ser protegidas para evitar infecção. Compressas úmidas são usadas apenas para resfriar pequenas queimaduras agudas, não em grandes áreas, devido ao risco de hipotermia. A prioridade é a via aérea, especialmente com sinais de inalação.

Contexto Educacional

O manejo inicial de pacientes queimados é uma emergência médica que exige uma abordagem sistemática e rápida para minimizar a morbidade e mortalidade. A avaliação primária segue o ABCDE do trauma, com ênfase na via aérea, especialmente em casos de queimaduras de face, pescoço ou presença de chamuscamento de vibrissas nasais, que sugerem lesão por inalação e risco de obstrução. A interrupção do processo de queimadura e o estabelecimento de acessos venosos calibrosos são passos subsequentes essenciais. A estimativa da área de superfície corporal queimada (SCQ) é fundamental para o planejamento da reposição volêmica. A "regra dos nove" é o método mais comum em adultos, atribuindo 9% para cabeça e cada membro superior, 18% para tronco anterior e posterior, e 1% para genitália. Para queimaduras de segundo grau, as bolhas intactas devem ser mantidas, pois atuam como barreira protetora contra infecções e promovem a cicatrização. Romper as bolhas é uma prática incorreta que aumenta o risco de infecção. Compressas úmidas são indicadas apenas para resfriar pequenas queimaduras agudas, não em grandes áreas, devido ao risco de hipotermia. A reposição volêmica é crítica em queimaduras extensas para prevenir o choque hipovolêmico. A fórmula de Parkland é amplamente utilizada: 2 a 4 mL de Ringer Lactato por kg de peso corporal por porcentagem de SCQ nas primeiras 24 horas, com metade do volume administrada nas primeiras 8 horas e a outra metade nas 16 horas seguintes. Pacientes com queimaduras graves ou em locais específicos (face, mãos, pés, genitália, grandes articulações) ou com lesão por inalação devem ser transferidos para um centro especializado em queimados para tratamento definitivo.

Perguntas Frequentes

Quais são os sinais de alerta para lesão por inalação em queimados?

Sinais de alerta incluem queimaduras na face e pescoço, chamuscamento de vibrissas nasais, rouquidão, estridor, escarro carbonáceo e história de queimadura em ambiente fechado.

Qual a importância da fórmula de Parkland na reposição volêmica de queimados?

A fórmula de Parkland (2-4 mL de Ringer Lactato/kg/%SCQ nas primeiras 24h) é crucial para prevenir o choque hipovolêmico em grandes queimaduras, repondo o volume perdido devido ao extravasamento capilar. Metade do volume é administrada nas primeiras 8 horas.

Quando um paciente queimado deve ser transferido para um centro especializado?

Indicações de transferência incluem queimaduras de segundo grau >10% SCQ em adultos, queimaduras de terceiro grau >5% SCQ, queimaduras em face, mãos, pés, genitália, períneo ou grandes articulações, lesão por inalação, queimaduras elétricas ou químicas, e pacientes com comorbidades significativas.

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