Queimaduras Extensas: Manejo Inicial e Reanimação Volêmica

UFRGS/HCPA - Hospital de Clínicas de Porto Alegre (RS) — Prova 2025

Enunciado

Paciente masculino, de 45 anos, foi trazido à Emergência após ter sido exposto ao fogo direto no local de trabalho por aproximadamente 25 segundos. À admissão, apresentava queimaduras visíveis em cerca de 30% da superfície corporal, predominantemente em braços, tórax e face, frequência cardíaca de 126 bpm, pressão arterial de 95/55 mmHg, frequência respiratória de 28 mpm e saturação de oxigênio de 89%. As vias aéreas estavam comprometidas, com sinais de inalação de fumaça. Foi imediatamente entubado para proteção das vias aéreas. Qual das intervenções abaixo é a prioritária para o manejo inicial?

Alternativas

  1. A) Administração imediata de antibióticos intravenosos para prevenir infecção.
  2. B) Imediato desbridamento das áreas queimadas para reduzir a carga de tecido necrótico.
  3. C) Infusão intravenosa agressiva de líquidos para tratar o choque hipovolêmico.
  4. D) Transferência imediata para a Unidade de Queimados, sem intervenções iniciais.

Pérola Clínica

Queimadura >20% TBSA com choque → Reanimação volêmica agressiva é prioritária.

Resumo-Chave

Em pacientes com queimaduras extensas (>20% TBSA) e sinais de choque (taquicardia, hipotensão), a reposição volêmica agressiva é a medida mais urgente para prevenir a progressão do choque e a insuficiência orgânica. A fórmula de Parkland é o guia padrão para calcular o volume de fluidos.

Contexto Educacional

O manejo inicial de pacientes com queimaduras extensas é uma emergência médica que exige uma abordagem sistemática e rápida. A avaliação primária segue o ABCDE do trauma, com ênfase na proteção da via aérea, especialmente em casos de lesão inalatória suspeita. A extensão e profundidade das queimaduras determinam a gravidade e o plano de tratamento. A fisiopatologia do choque em queimados envolve uma resposta inflamatória sistêmica maciça, levando a um aumento generalizado da permeabilidade capilar e extravasamento de plasma para o interstício. Isso resulta em hipovolemia grave, mesmo com a integridade vascular aparente. A reposição volêmica agressiva é crucial para restaurar o volume intravascular e manter a perfusão orgânica. A Fórmula de Parkland (4mL x peso em kg x %TBSA) é amplamente utilizada para guiar a infusão de cristaloides nas primeiras 24 horas, com metade do volume administrado nas primeiras 8 horas. Além da reanimação volêmica, outras intervenções incluem analgesia, cobertura das queimaduras, profilaxia de tétano e avaliação para escarotomia. Antibióticos não são indicados profilaticamente na fase aguda. O monitoramento contínuo da resposta à fluidoterapia (débito urinário, pressão arterial, frequência cardíaca) é fundamental. A transferência para um centro de queimados especializado deve ser considerada após a estabilização inicial.

Perguntas Frequentes

Quais são os sinais de choque hipovolêmico em pacientes queimados?

Sinais incluem taquicardia, hipotensão, oligúria, tempo de enchimento capilar prolongado e alteração do nível de consciência, indicando perfusão tecidual inadequada.

Por que a reanimação volêmica é a prioridade em queimaduras extensas?

Queimaduras extensas causam grande perda de fluidos para o espaço extravascular devido ao aumento da permeabilidade capilar, levando rapidamente ao choque hipovolêmico se não tratada agressivamente.

Qual a importância da avaliação da via aérea em queimados?

A lesão inalatória é uma causa comum de morbimortalidade. Sinais como queimaduras de face, pelos nasais chamuscados, rouquidão ou escarro carbonáceo indicam necessidade de intubação precoce para evitar obstrução.

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