Queimaduras de Face e Pescoço: Abordagem e Manejo Inicial

ENARE/ENAMED — Prova 2022

Enunciado

No pronto atendimento, um paciente foi admitido com queimaduras extensas de grau 2 em regiões de face e pescoço, provocadas por água fervendo. Assinale a alternativa que apresenta a melhor abordagem a ser feita nesse paciente.

Alternativas

  1. A) Avaliação da superfície corpórea atingida; analgesia e curativo com óleo de girassol nas feridas.
  2. B) Analgesia e, após 1h, reavaliação da dor e início da avaliação secundária quanto aos cuidados com as queimaduras – fazer apenas cobertura das lesões com gaze para não causar mais dor à manipulação.
  3. C) Acalmar o paciente; ressuscitação volêmica utilizando a fórmula de Parkland – 1,5mL/kg/% de superfície corpórea queimada; analgesia e curativo com sulfadiazina de prata nas feridas.
  4. D) Analgesia; ressuscitação volêmica utilizando a fórmula de Brooke – 4mL/kg/% de superfície corpórea queimada – e curativo com neomicina nas feridas.
  5. E) Avaliação quanto à possível lesão direta de via aérea; ressuscitação volêmica utilizando a fórmula de Parkland – 4mL/kg/% de superfície corpórea queimada – juntamente com a analgesia, e curativo com sulfadiazina de prata nas feridas.

Contexto Educacional

O manejo inicial de pacientes queimados, especialmente aqueles com lesões extensas na face e pescoço, é uma emergência médica que exige uma abordagem sistemática e rápida. A prioridade máxima é a avaliação e proteção da via aérea, pois o edema de tecidos moles pode levar à obstrução respiratória fatal. Sinais como queimaduras de face, pelos nasais queimados, rouquidão ou estridor indicam a necessidade de intubação orotraqueal precoce. Após a estabilização da via aérea e respiração, a circulação deve ser avaliada. Queimaduras extensas (>15-20% da Superfície Corporal Queimada - SCQ em adultos) requerem ressuscitação volêmica agressiva para prevenir o choque hipovolêmico. A fórmula de Parkland é o padrão-ouro para calcular o volume de cristaloides (Ringer Lactato) a ser administrado: 4 mL/kg/%SCQ nas primeiras 24 horas, com metade nas primeiras 8 horas e a outra metade nas 16 horas seguintes. A analgesia adequada é fundamental desde o início para aliviar a dor intensa. Os cuidados locais com as queimaduras incluem a limpeza da ferida e a aplicação de agentes tópicos antimicrobianos, como a sulfadiazina de prata, que previne infecções e auxilia na cicatrização. É crucial monitorar a diurese, sinais vitais e o estado de hidratação do paciente. O encaminhamento para um centro de queimados é indicado para casos de queimaduras extensas, de face/pescoço, mãos, pés, períneo, grandes articulações, queimaduras de terceiro grau, lesões inalatórias, queimaduras elétricas ou químicas, e pacientes com comorbidades.

Perguntas Frequentes

Quais são os sinais de alerta para lesão de via aérea em queimados?

Sinais de alerta incluem queimaduras de face e pescoço, pelos nasais queimados, rouquidão, estridor, escarro carbonáceo, tosse e dificuldade respiratória. A presença de qualquer um desses indica alto risco de comprometimento da via aérea.

Como a fórmula de Parkland é aplicada para ressuscitação volêmica?

A fórmula de Parkland calcula o volume total de cristaloides (geralmente Ringer Lactato) necessário nas primeiras 24 horas: 4 mL x peso (kg) x %SCQ. Metade desse volume é administrada nas primeiras 8 horas e a outra metade nas 16 horas seguintes.

Qual o papel da sulfadiazina de prata no tratamento de queimaduras?

A sulfadiazina de prata é um agente tópico antimicrobiano amplamente utilizado em queimaduras de segundo e terceiro graus. Ela ajuda a prevenir infecções na ferida, promove a cicatrização e tem um espectro de ação contra bactérias gram-positivas e gram-negativas.

Responda esta e mais de 150 mil questões comentadas no MedEvo — a plataforma de residência médica com IA.

Responder questão no MedEvo