SURCE - Sistema Único de Residência do Ceará — Prova 2024
Mulher de 35 anos apresenta dor abdominal em andar superior, com irradiação para dorso, acompanhada de vômitos incoercíveis, há 2 dias. Exame físico: PA 120x80mmHg FC 76bpm FR 18irpm SpO₂ 96% em ar ambiente Glasgow 15 ACP: RCR 2T BNF SS / MVU, sem sopros ABD: defesa em região superior do abdome por dor. Sem edema de membros inferiores Exames laboratoriais: Hb 12,5g/dL Leucócitos 8.700/mm³ com diferencial normal Plaquetas 428.000/mm³, Cr 0,7mg/dL, Ureia 20mg/dL, Amilase 500UI/L, Lipase 600UI/L. Qual a conduta nesse caso?
Pancreatite aguda: dor epigástrica irradiando para dorso + amilase/lipase ↑. Conduta inicial → hidratação, jejum, analgesia.
O manejo inicial da pancreatite aguda foca em medidas de suporte para estabilizar o paciente e reduzir a inflamação. A hidratação venosa vigorosa é crucial para prevenir complicações, enquanto a dieta zero e a analgesia controlam os sintomas e o repouso pancreático.
A pancreatite aguda é uma condição inflamatória grave do pâncreas, frequentemente causada por cálculos biliares ou etilismo. É crucial para residentes e estudantes de medicina reconhecer seus sintomas clássicos, como dor abdominal intensa com irradiação dorsal, náuseas e vômitos, e associá-los a elevações significativas de amilase e lipase séricas para um diagnóstico precoce e manejo adequado. A fisiopatologia envolve a ativação prematura de enzimas digestivas dentro do pâncreas, levando à autodigestão do órgão. O diagnóstico é clínico-laboratorial, com a confirmação de amilase e/ou lipase > 3 vezes o limite superior da normalidade. A suspeita deve ser alta em pacientes com dor abdominal aguda e fatores de risco conhecidos. A avaliação da gravidade é fundamental para guiar o tratamento e identificar pacientes com maior risco de complicações. O tratamento inicial é de suporte e inclui hidratação venosa agressiva para combater a hipovolemia, jejum oral (dieta zero) para repouso pancreático e analgesia potente para controle da dor. A nutrição enteral precoce pode ser considerada em casos de pancreatite grave, mas a parenteral é reservada para quando a enteral não é tolerada. A indicação de cirurgia é rara e restrita a complicações específicas, enquanto a antibioticoterapia profilática não é recomendada.
A pancreatite aguda tipicamente se manifesta com dor abdominal intensa no andar superior, frequentemente com irradiação para o dorso, acompanhada de náuseas e vômitos. Pode haver defesa abdominal e, em casos graves, sinais de choque.
A hidratação venosa vigorosa é um pilar do tratamento, pois a pancreatite aguda pode levar a uma significativa perda de fluidos para o terceiro espaço, resultando em hipovolemia e piora da perfusão orgânica. A reposição adequada ajuda a prevenir a progressão da doença e complicações.
A antibioticoterapia não é recomendada de rotina na pancreatite aguda. Sua indicação principal é em casos de necrose pancreática infectada comprovada ou suspeita, ou em outras infecções associadas, como colangite.
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