SURCE - Sistema Único de Residência do Ceará — Prova 2015
Mulher de 52 anos portadora de diabetes tipo 2, em uso de insulina NPH e de insulina regular, comparece para reavaliação. Ela traz hemoglobina glicada de 11% e glicemia de jejum 128 mg/dl. Seu esquema de insulina é NPH 20u pela manhã e 08u à noite e três doses de 04u de insulina regular, antes das principais refeições. Sua dieta é baseada em carboidratos processados, frituras e carne vermelha. Não consome frutas nem verduras, não usa adoçante, nem nenhum tipo de suplemento alimentar e é sedentária. Qual das medidas deve ser adotada inicialmente?
DM2 descompensado com estilo de vida inadequado → priorizar orientação dietética e mudança de hábitos antes de escalar medicação.
Em pacientes com diabetes tipo 2 e controle glicêmico insatisfatório, especialmente com hábitos de vida claramente prejudiciais, a intervenção inicial mais eficaz e fundamental é a orientação dietética e a promoção de atividade física. Essas medidas podem ter um impacto significativo na glicemia e na sensibilidade à insulina, muitas vezes mais do que apenas o ajuste medicamentoso.
O diabetes mellitus tipo 2 (DM2) é uma doença crônica progressiva caracterizada por resistência à insulina e/ou deficiência na secreção de insulina. É uma das doenças crônicas mais prevalentes globalmente, com um impacto significativo na saúde pública. O controle glicêmico adequado é crucial para prevenir ou retardar as complicações microvasculares (retinopatia, nefropatia, neuropatia) e macrovasculares (doença cardiovascular, acidente vascular cerebral, doença arterial periférica). O diagnóstico é feito por exames de glicemia de jejum, teste oral de tolerância à glicose ou hemoglobina glicada. A fisiopatologia envolve uma complexa interação entre fatores genéticos e ambientais, levando à disfunção das células beta pancreáticas e à resistência à insulina nos tecidos periféricos. A suspeita deve surgir em pacientes com sintomas clássicos (poliúria, polidipsia, polifagia, perda de peso) ou em rastreamento de indivíduos com fatores de risco. O tratamento do DM2 é multifacetado, começando sempre com modificações no estilo de vida, incluindo dieta equilibrada e atividade física regular. A farmacoterapia é adicionada conforme a necessidade, com metformina sendo a primeira linha na maioria dos casos, seguida por outros agentes orais e, eventualmente, insulina. A educação do paciente sobre a doença, automonitoramento e manejo de complicações é um pilar fundamental para o sucesso terapêutico e a melhoria da qualidade de vida.
Os principais pilares são a modificação do estilo de vida (dieta saudável e atividade física regular), o uso de medicamentos orais e, se necessário, a insulinoterapia. A educação do paciente é fundamental em todas as etapas.
A dieta inadequada e o sedentarismo são fatores cruciais que contribuem para a descompensação glicêmica. Abordá-los inicialmente pode melhorar significativamente o controle glicêmico, reduzir a necessidade de doses elevadas de insulina e prevenir complicações, sendo a base para qualquer tratamento farmacológico.
Uma hemoglobina glicada (HbA1c) de 11% indica um controle glicêmico muito ruim nos últimos 2-3 meses, com níveis médios de glicose significativamente elevados. Isso coloca o paciente em alto risco para o desenvolvimento de complicações micro e macrovasculares do diabetes.
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