Choque Séptico: Manejo Inicial e Conduta em Urgência

AMP - Associação Médica do Paraná — Prova 2025

Enunciado

Homem, 65 anos, com hIstórico de diabetes mellitus tipo2 e hipertensâo arterial sistêmica é trazido a unldade básica de saúde por familiares devido a confusão mental e febre há 24 horas. Ao exame, o paciente está desorientado, com temperature de 39ºC, pressão arterial de 80/50 mmHg, frequência cardíaca de 120 bpm e frequência respiratória de 28 ipm. A saturação de oxigênio está em 88%  em ar ambiente. Extremidades frias e cianóticas. Ausculta pulmonar evidencia estertores finos em base direta. Sondagem vesical prontamente instituída, sem débito urinário exteriorizado. Por tratar-se de unidade básica de saúde, não há condições de realização imediata de exames laboratoriais, sendo então inserido paciente em central de leitos para encaminhamento para serviço de atenção terciária.Com base no quadro clínico do paclente, qual é a conduta inicial mais adequada no manejo do caso?

Alternativas

  1. A) Para evitar acidose hiperclorêmica, preferìr cristaloide balanceado a NaCl 0,9%
  2. B) Infusão de cristaloides e antibioticoterapia precoces, independente de culturas.
  3. C) Manejo inicial da hipotensão com aminas vasoativas, devido a risco de piora da congestão.
  4. D) Admlnistrar corticoides como primeira linha de tratamento para melhorar a hemodinâmica.
  5. E) lniciar antibiótlco após investigação detalhada do foco com exames complementares.

Pérola Clínica

Choque séptico: iniciar fluidos e ATB empírico precocemente, mesmo em UBS, para reduzir mortalidade.

Resumo-Chave

Em casos de choque séptico, a rápida administração de fluidos intravenosos e antibióticos de amplo espectro é fundamental para melhorar a perfusão tecidual e combater a infecção, impactando diretamente a mortalidade. A demora na instituição dessas medidas aumenta significativamente o risco de disfunção orgânica e óbito.

Contexto Educacional

A sepse é uma disfunção orgânica ameaçadora à vida causada por uma resposta desregulada do hospedeiro a uma infecção. É uma das principais causas de morbimortalidade em hospitais e unidades de terapia intensiva, com maior incidência e pior prognóstico em idosos e pacientes com comorbidades. O reconhecimento precoce dos sinais de sepse e choque séptico é crucial para a sobrevida do paciente. A fisiopatologia da sepse envolve uma complexa interação entre a resposta inflamatória e anti-inflamatória, levando a disfunção endotelial, vasodilatação sistêmica, aumento da permeabilidade capilar e má perfusão tecidual. A suspeita de sepse deve surgir em pacientes com infecção confirmada ou provável que apresentem sinais de disfunção orgânica, como hipotensão, alteração do nível de consciência, oligúria, taquipneia ou hipoxemia. O escore SOFA (Sequential Organ Failure Assessment) é uma ferramenta útil para avaliar a disfunção orgânica. O tratamento inicial do choque séptico é uma emergência médica e deve ser instituído o mais rápido possível, idealmente na primeira hora. As medidas incluem a administração rápida de fluidos intravenosos (cristaloides) para restaurar a perfusão e a pressão arterial, e a antibioticoterapia empírica de amplo espectro. O controle do foco infeccioso, seja por drenagem ou remoção, também é fundamental. A demora no início dessas intervenções está diretamente associada a um aumento significativo da mortalidade.

Perguntas Frequentes

Quais são os sinais clínicos de choque séptico em pacientes idosos?

Sinais incluem hipotensão, taquicardia, taquipneia, febre ou hipotermia, confusão mental, oligúria e extremidades frias/cianóticas, especialmente em pacientes com comorbidades como diabetes e hipertensão.

Qual a importância da antibioticoterapia precoce no choque séptico?

A antibioticoterapia de amplo espectro deve ser iniciada na primeira hora do reconhecimento do choque séptico para combater a infecção e reduzir a mortalidade, mesmo antes da identificação do patógeno e da coleta de culturas.

Por que a fluidoterapia é a primeira linha de tratamento na hipotensão séptica?

A hipotensão na sepse é frequentemente causada por vasodilatação e hipovolemia relativa devido ao extravasamento capilar. A infusão rápida de cristaloides visa restaurar a perfusão tecidual e a pressão arterial, antes de considerar vasopressores.

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