SMS João Pessoa - Secretaria Municipal de Saúde de João Pessoa (PB) — Prova 2020
Um paciente de 75 anos apresenta-se na emergência, trazido pelos filhos, duas horas após notarem que o mesmo acordou pela manhã apresentando quadro de dificuldade na fala, discreta sonolência, e aparente redução da força muscular no hemicorpo esquerdo, tendo sido visto sem essas alterações na noite anterior. O paciente é hipertenso e diabético, em uso de losartana, hidroclorotiazida e insulina NPH. Ao exame neurológico, você percebe que há redução de força no dimídio esquerdo, desvio de rima labial e fala desconexa. PA: 190 x 110mmHg, HGT: 287mg/dl e SO₂: 93% em ar ambiente. Foi submetido a tomografia computadorizada de crânio, sem evidências de lesões hemorrágicas. Sobre esse caso clínico, assinale a alternativa CORRETA.
AVE isquêmico agudo: TC sem sangramento, controle glicêmico e O2 (se SO2 < 94%). Heparina não é conduta inicial.
A principal hipótese é AVE isquêmico. A conduta inicial inclui exames laboratoriais, controle da glicemia (evitar hiperglicemia e hipoglicemia), oxigenoterapia se hipoxemia (SO2 < 94%) e avaliação para trombólise. A heparina não fracionada não é recomendada na fase aguda do AVE isquêmico devido ao risco de sangramento, exceto em situações muito específicas.
O Acidente Vascular Encefálico (AVE) isquêmico é uma das principais causas de incapacidade e mortalidade, exigindo uma abordagem rápida e sistemática na emergência. A identificação precoce dos sintomas e a diferenciação de outras condições neurológicas agudas, como a encefalopatia hipertensiva, são cruciais. A janela terapêutica para intervenções como a trombólise é estreita, tornando cada minuto vital para preservar a função cerebral. O diagnóstico de AVE isquêmico é primariamente clínico, baseado no início súbito de déficits neurológicos focais, e confirmado pela exclusão de hemorragia intracraniana por tomografia computadorizada de crânio sem contraste. Fatores de risco como hipertensão e diabetes são comuns e devem ser controlados. A hiperglicemia, em particular, é um fator de mau prognóstico no AVE e deve ser manejada ativamente. A conduta inicial no AVE isquêmico inclui a monitorização, avaliação de exames laboratoriais, controle da glicemia (mantendo-a em níveis normais), e oxigenoterapia se a saturação de O2 for inferior a 94%. A decisão sobre a trombólise deve ser tomada rapidamente, considerando os critérios de inclusão e exclusão. É importante ressaltar que o uso rotineiro de heparina não fracionada na fase aguda do AVE isquêmico não é recomendado devido ao aumento do risco de sangramento, a menos que haja indicações específicas e o risco-benefício seja cuidadosamente avaliado.
Os primeiros passos incluem estabilização das vias aéreas, respiração e circulação (ABC), avaliação neurológica rápida, coleta de glicemia capilar, realização de TC de crânio sem contraste para excluir hemorragia e exames laboratoriais básicos.
A hiperglicemia no AVE isquêmico agudo está associada a pior prognóstico, aumento do tamanho do infarto e maior risco de transformação hemorrágica. O controle glicêmico rigoroso, evitando tanto hiperglicemia quanto hipoglicemia, é fundamental.
A oxigenoterapia é indicada em pacientes com AVE isquêmico que apresentam hipoxemia, definida como saturação de oxigênio (SO2) abaixo de 94%. Não há benefício em administrar oxigênio suplementar a pacientes normoxêmicos.
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