UERJ/HUPE - Hospital Universitário Pedro Ernesto (RJ) — Prova 2020
Paciente hipertenso de 70 anos chegou à Unidade Básica de Saúde com 20 minutos de início de hemiparesia súbita, disartria e PA = 184 x 104mmHg. O idoso negou cefaleia, vômitos, uso de AAS e anticoagulantes, doença infecciosa, ou problemas com sangramentos. De acordo com o caso apresentado: Enumere três recursos que devem estar disponíveis na unidade para a qual esse paciente deve ser encaminhado.
Suspeita de AVE agudo → encaminhamento imediato para centro com capacidade de neuroimagem e trombólise/trombectomia.
Um paciente com sintomas súbitos de AVE, como hemiparesia e disartria, deve ser encaminhado rapidamente para uma unidade especializada. A janela terapêutica para trombólise e trombectomia é crítica, exigindo recursos diagnósticos e terapêuticos avançados para otimizar o prognóstico.
O Acidente Vascular Encefálico (AVE) isquêmico agudo é uma emergência médica que exige reconhecimento e manejo imediatos para minimizar o dano cerebral. A epidemiologia mostra que o AVE é uma das principais causas de mortalidade e incapacidade em adultos, com a hipertensão arterial sendo um fator de risco modificável crucial. A importância clínica reside na janela terapêutica limitada para intervenções de reperfusão, que podem reverter ou atenuar o déficit neurológico. A organização de uma rede de atendimento ao AVE é fundamental para otimizar os desfechos dos pacientes. A fisiopatologia do AVE isquêmico envolve a oclusão de um vaso cerebral, levando à interrupção do fluxo sanguíneo e à morte neuronal. O diagnóstico é primariamente clínico, baseado na instalação súbita de déficits neurológicos focais, e confirmado por neuroimagem. A suspeita deve ser alta em pacientes com fatores de risco como hipertensão, diabetes, dislipidemia e fibrilação atrial. A diferenciação entre AVE isquêmico e hemorrágico é imperativa antes de qualquer terapia de reperfusão, sendo a tomografia de crânio sem contraste o exame inicial de escolha. O tratamento do AVE isquêmico agudo visa a reperfusão da área isquêmica. Isso pode ser alcançado através da trombólise endovenosa com alteplase, se o paciente se apresentar dentro da janela terapêutica (geralmente até 4,5 horas do início dos sintomas) e não tiver contraindicações. Para oclusões de grandes vasos, a trombectomia mecânica pode ser realizada em janelas mais amplas. O prognóstico está diretamente relacionado à rapidez do diagnóstico e início do tratamento, bem como à reabilitação precoce. Pontos de atenção incluem o controle rigoroso da pressão arterial, glicemia e temperatura, além da prevenção de complicações como pneumonia e trombose venosa profunda.
Os sinais de alerta incluem fraqueza ou dormência súbita em um lado do corpo (hemiparesia), dificuldade súbita para falar ou entender (disartria, afasia), desvio de rima, alteração visual súbita e cefaleia intensa sem causa aparente. A identificação rápida é crucial para o manejo.
Em um AVE isquêmico agudo, a hipertensão é frequentemente uma resposta compensatória para manter a perfusão cerebral na área de penumbra isquêmica. A redução agressiva da PA pode piorar a isquemia. O controle rigoroso é indicado apenas para pressões muito elevadas (PA > 220/120 mmHg) ou se o paciente for candidato à trombólise (PA < 185/110 mmHg).
Uma unidade de referência para AVE deve ter capacidade para neuroimagem de emergência (tomografia computadorizada ou ressonância magnética), equipe especializada (neurologistas, neurocirurgiões, enfermeiros de AVC) e disponibilidade de terapias de reperfusão, como trombólise endovenosa (com alteplase) e, idealmente, trombectomia mecânica.
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