Ingestão de Soda Cáustica: Condutas Essenciais e Erros a Evitar

UESPI - Universidade Estadual do Piauí — Prova 2019

Enunciado

No acidente por ingestão de soda cáustica (Hidróxido de Sódio) devemos tomar as seguintes condutas, EXCETO:

Alternativas

  1. A) Exame físico com lesão importante dos lábios, língua e boca deve ser monitorado urgentemente.
  2. B) Presença de roncos, estridor, tiragem intercostal, cianose determinam necessidade de acesso à via aérea.
  3. C) Epiglote ou pregas vocais edemaciadas contraindicam a entubação orotraqueal. Neste caso a traqueostomia é o procedimento de escolha. 
  4. D) Induzir o vômito o mais precoce possível, manter paciente hidratado, com analgesia e em uso de inibidores de bomba de prótons
  5. E) Paciente deve ser investigado com exames radiológicos e endoscopia. Caso confirme a perfuração do esôfago, ele deve ser encaminhado à cirurgia.

Pérola Clínica

Ingestão de cáusticos → NUNCA induzir vômito; priorizar via aérea e endoscopia precoce.

Resumo-Chave

A indução do vômito é absolutamente contraindicada em casos de ingestão de substâncias cáusticas, como a soda cáustica. Isso porque o vômito provoca uma nova exposição do esôfago e da orofaringe ao agente corrosivo, agravando as lesões e aumentando o risco de aspiração pulmonar.

Contexto Educacional

A ingestão acidental ou intencional de substâncias cáusticas, como a soda cáustica (hidróxido de sódio), é uma emergência médica grave que pode resultar em lesões devastadoras no trato gastrointestinal superior e na via aérea. A gravidade da lesão depende do tipo, concentração, volume e tempo de contato com a substância. Alcalinos, como a soda cáustica, tendem a causar necrose por liquefação, que penetra mais profundamente nos tecidos, ao contrário dos ácidos que causam necrose por coagulação. O manejo inicial foca na estabilização do paciente e na avaliação da via aérea. Sinais de comprometimento da via aérea, como estridor ou disfonia, exigem intubação orotraqueal imediata ou, se impossível, traqueostomia. É crucial NÃO induzir o vômito, pois isso reexpõe o esôfago e a orofaringe ao corrosivo, agravando as lesões e aumentando o risco de aspiração. Da mesma forma, a neutralização com outras substâncias é contraindicada devido ao risco de reações exotérmicas e aumento do volume. Após a estabilização, a endoscopia digestiva alta deve ser realizada precocemente (geralmente nas primeiras 24 horas, mas não além de 48-72h) para estadiar as lesões e guiar a conduta. O tratamento é de suporte, incluindo hidratação venosa, analgesia e inibidores de bomba de prótons para proteger a mucosa gástrica. Em casos de perfuração esofágica ou gástrica, a intervenção cirúrgica de emergência é imperativa. O acompanhamento a longo prazo é essencial devido ao risco de estenoses esofágicas e, em casos de lesões graves, aumento do risco de carcinoma esofágico.

Perguntas Frequentes

Por que é contraindicado induzir o vômito após ingestão de soda cáustica?

Induzir o vômito é contraindicado porque o retorno do cáustico pelo esôfago e orofaringe causa uma segunda lesão, agravando o dano tecidual. Além disso, aumenta o risco de aspiração pulmonar, que pode levar a pneumonite química grave.

Quais são os sinais de alerta para comprometimento da via aérea em caso de ingestão de cáusticos?

Sinais como roncos, estridor, tiragem intercostal, cianose, disfonia ou dificuldade respiratória indicam comprometimento da via aérea superior. Nesses casos, a avaliação e o manejo urgente da via aérea, incluindo intubação ou traqueostomia, são prioritários.

Qual o papel da endoscopia digestiva na avaliação da ingestão de cáusticos?

A endoscopia digestiva alta é fundamental para avaliar a extensão e a gravidade das lesões esofágicas e gástricas causadas pela ingestão de cáusticos. Deve ser realizada precocemente (nas primeiras 24-48 horas), mas com cautela em casos de instabilidade hemodinâmica ou sinais de perfuração.

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