UESPI - Universidade Estadual do Piauí — Prova 2019
No acidente por ingestão de soda cáustica (Hidróxido de Sódio) devemos tomar as seguintes condutas, EXCETO:
Ingestão de cáusticos → NUNCA induzir vômito; priorizar via aérea e endoscopia precoce.
A indução do vômito é absolutamente contraindicada em casos de ingestão de substâncias cáusticas, como a soda cáustica. Isso porque o vômito provoca uma nova exposição do esôfago e da orofaringe ao agente corrosivo, agravando as lesões e aumentando o risco de aspiração pulmonar.
A ingestão acidental ou intencional de substâncias cáusticas, como a soda cáustica (hidróxido de sódio), é uma emergência médica grave que pode resultar em lesões devastadoras no trato gastrointestinal superior e na via aérea. A gravidade da lesão depende do tipo, concentração, volume e tempo de contato com a substância. Alcalinos, como a soda cáustica, tendem a causar necrose por liquefação, que penetra mais profundamente nos tecidos, ao contrário dos ácidos que causam necrose por coagulação. O manejo inicial foca na estabilização do paciente e na avaliação da via aérea. Sinais de comprometimento da via aérea, como estridor ou disfonia, exigem intubação orotraqueal imediata ou, se impossível, traqueostomia. É crucial NÃO induzir o vômito, pois isso reexpõe o esôfago e a orofaringe ao corrosivo, agravando as lesões e aumentando o risco de aspiração. Da mesma forma, a neutralização com outras substâncias é contraindicada devido ao risco de reações exotérmicas e aumento do volume. Após a estabilização, a endoscopia digestiva alta deve ser realizada precocemente (geralmente nas primeiras 24 horas, mas não além de 48-72h) para estadiar as lesões e guiar a conduta. O tratamento é de suporte, incluindo hidratação venosa, analgesia e inibidores de bomba de prótons para proteger a mucosa gástrica. Em casos de perfuração esofágica ou gástrica, a intervenção cirúrgica de emergência é imperativa. O acompanhamento a longo prazo é essencial devido ao risco de estenoses esofágicas e, em casos de lesões graves, aumento do risco de carcinoma esofágico.
Induzir o vômito é contraindicado porque o retorno do cáustico pelo esôfago e orofaringe causa uma segunda lesão, agravando o dano tecidual. Além disso, aumenta o risco de aspiração pulmonar, que pode levar a pneumonite química grave.
Sinais como roncos, estridor, tiragem intercostal, cianose, disfonia ou dificuldade respiratória indicam comprometimento da via aérea superior. Nesses casos, a avaliação e o manejo urgente da via aérea, incluindo intubação ou traqueostomia, são prioritários.
A endoscopia digestiva alta é fundamental para avaliar a extensão e a gravidade das lesões esofágicas e gástricas causadas pela ingestão de cáusticos. Deve ser realizada precocemente (nas primeiras 24-48 horas), mas com cautela em casos de instabilidade hemodinâmica ou sinais de perfuração.
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