Famema/HCFMM - Faculdade de Medicina de Marília (SP) — Prova 2026
Uma senhora de 79 anos, recentemente viúva e vivendo isolada dos vizinhos e filhos, trouxe o tema da morte durante uma consulta no posto de saúde. Ela diz que não vê mais sentido em continuar viva, nada lhe satisfaz e tem vontade de chorar durante a maior parte do dia. Já está em tratamento para depressão, há 5 meses, mas ainda sem resposta satisfatória. Ela também relata que não consegue tirar da cabeça a ideia de tomar veneno ou se enforcar em casa, acreditando que isso seria um alívio para seu sofrimento. Considerando a organização dos serviços na comunidade, qual seria a conduta apropriada para esse caso?
Ideação suicida com plano estruturado + depressão sem resposta terapêutica → Emergência Psiquiátrica.
Pacientes idosos com depressão resistente e plano suicida estruturado apresentam altíssimo risco imediato, exigindo avaliação especializada para possível internação protetiva.
O suicídio em idosos é um problema de saúde pública subdiagnosticado. Diferente de jovens, idosos costumam usar métodos mais letais e dão menos sinais ambíguos de alerta. A depressão no idoso pode se manifestar com sintomas atípicos, mas a persistência de anedonia e desesperança após meses de tratamento (depressão resistente) é um sinal de alerta crítico. O manejo exige uma visão sistêmica da RAPS (Rede de Atenção Psicossocial). O encaminhamento para a emergência psiquiátrica é a única conduta que garante a segurança imediata da paciente, permitindo uma avaliação diagnóstica profunda e a implementação de medidas de contenção de danos que a atenção básica, isoladamente, não consegue prover em situação de crise aguda.
Os principais fatores incluem a presença de transtornos mentais (especialmente depressão maior), isolamento social, viuvez recente, doenças crônicas incapacitantes ou dolorosas, e acesso a meios letais. No caso clínico, a paciente apresenta múltiplos fatores: 79 anos, viúva, isolada, depressão sem resposta ao tratamento e plano estruturado. O risco é potencializado pela letalidade dos métodos escolhidos (enforcamento e veneno), o que exige intervenção imediata.
A internação é indicada quando há risco iminente de autoagressão, plano suicida estruturado, falta de suporte social adequado para supervisão 24h, ou falha grave no tratamento ambulatorial. A avaliação deve ser feita preferencialmente em um serviço de emergência psiquiátrica ou CAPS III, onde se decide pela internação hospitalar ou permanência em leito de observação para estabilização da crise e ajuste terapêutico.
A Atenção Primária à Saúde (APS) é a porta de entrada e deve realizar o acolhimento e a classificação de risco. Em casos de baixo risco, o manejo pode ser ambulatorial com apoio do NASF. Contudo, em casos de alto risco (plano ativo), a APS deve garantir a transferência segura do paciente para um serviço de urgência, nunca dispensando o paciente sem a garantia de que ele será avaliado por uma equipe especializada.
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