IDPC/Dante Pazzanese - Instituto de Cardiologia (SP) — Prova 2024
Mulher de 42 anos de idade comparece em consulta por tristeza, choro, desânimo intenso e falta de prazer em muitas atividades há 2 meses. Relata inapetência, com perda de 5kg nos últimos dois meses, mal consegue levantar da cama de manhã, está faltando ao trabalho e tem deixado de frequentar eventos sociais. Pensa que é um peso para a sua família e tem descuidado da própria higiene, por falta de energia. Tem antecedentes de HAS e dislipidemia. Ao exame físico está com PA 180x110mmHg, restante do exame está normal.Caso a paciente diga que teve pensamentos suicidas, sem planejamento nem método definidos, e que seria melhor morrer para acabar com seu sofrimento, além de contar que tem acesso a comprimidos e métodos letais em sua residência, qual seria a conduta para o manejo desse caso?
Ideação sem plano + rede de apoio presente → envolver família + controle de meios + vigilância.
Em pacientes com ideação suicida sem planejamento estruturado e com suporte familiar, a conduta prioriza a segurança domiciliar e o monitoramento compartilhado, evitando medidas coercitivas desnecessárias.
O manejo do comportamento suicida exige uma estratificação de risco criteriosa. Pacientes com sintomas depressivos graves (anestesia emocional, inapetência, perda funcional) e ideação suicida devem ser avaliados quanto à presença de planos e suporte social. A abordagem preconizada pelo Ministério da Saúde e associações de psiquiatria enfatiza a manutenção do paciente em seu território sempre que seguro. A conduta de envolver a família e orientar a restrição de meios é baseada em evidências que mostram que a redução do acesso a métodos letais é uma das intervenções mais eficazes na prevenção do suicídio. O encaminhamento para serviços de urgência (como CAPS III ou Emergências Gerais) deve ser oferecido, mas a autonomia da família e do paciente deve ser respeitada se o risco imediato for manejável no domicílio com supervisão.
A internação psiquiátrica está indicada quando o risco é considerado alto e iminente, caracterizado por planejamento suicida estruturado, tentativas recentes de alta letalidade, ausência total de rede de apoio sociofamiliar ou quando o paciente apresenta transtorno mental grave descompensado que impede o autocuidado e a segurança. No caso de risco moderado, onde há ideação mas não há plano e a família é colaborativa, o manejo ambulatorial com vigilância estrita é preferível para manter os vínculos do paciente.
A família atua como o principal fator de proteção e monitoramento no ambiente domiciliar. Sua função inclui a vigilância constante (não deixar o paciente sozinho), a restrição absoluta de acesso a meios letais (medicamentos, armas, objetos cortantes) e o suporte emocional. O médico deve orientar claramente os familiares sobre sinais de alerta que exigem busca imediata por serviço de emergência, estabelecendo um plano de crise compartilhado.
A ideação suicida refere-se ao pensamento ou desejo de morrer, que pode ser vago ('seria melhor não acordar'). O planejamento suicida envolve a estruturação de como, quando e onde o ato será realizado, incluindo a obtenção de meios. A presença de um plano aumenta significativamente o risco imediato e geralmente altera a conduta de ambulatorial para observação em ambiente protegido ou internação.
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