FMP/UNIFASE - Faculdade de Medicina de Petrópolis (RJ) — Prova 2022
No manejo do paciente politraumatizado, a prevenção da hipotermia tem papel fundamental na redução de mortalidade e prevenção da clássica Tríade Letal. Em um paciente com temperatura axilar de 32°C na admissão na sala de trauma, qual das medidas abaixo é a mais eficaz na reconstituição da temperatura corporal adequada?
Hipotermia grave em trauma → Irrigação cavitária com soluções aquecidas é a medida mais eficaz.
Em pacientes politraumatizados com hipotermia grave (temperatura axilar < 32°C), a irrigação cavitária com soluções aquecidas (peritoneal, torácica, gástrica) é a medida mais eficaz para a reconstituição rápida da temperatura corporal, superando métodos externos ou infusão de fluidos aquecidos isoladamente.
A hipotermia é uma complicação comum e grave no paciente politraumatizado, definida como temperatura corporal central abaixo de 35°C. Sua prevalência pode chegar a 60% em grandes traumas e é um fator independente de aumento da mortalidade. A prevenção e o tratamento agressivo da hipotermia são cruciais para evitar a tríade letal (hipotermia, acidose e coagulopatia), que perpetua o sangramento e a disfunção orgânica. A manutenção da normotermia é um pilar fundamental no manejo inicial do trauma. Fisiopatologicamente, a hipotermia causa vasoconstrição periférica, desvio do sangue para o core, e disfunção enzimática que afeta a cascata de coagulação e o metabolismo celular, levando à acidose metabólica. O diagnóstico é feito pela aferição da temperatura central (esofágica, retal ou vesical). A suspeita deve ser alta em pacientes com exposição ambiental, grandes perdas sanguíneas ou choque. O tratamento da hipotermia varia conforme a gravidade. Em casos leves a moderados, cobertores térmicos e fluidos aquecidos podem ser suficientes. No entanto, em hipotermia grave (abaixo de 32°C), métodos de aquecimento interno, como a irrigação cavitária com soluções aquecidas (peritoneal, torácica, gástrica ou vesical), são os mais eficazes para restaurar rapidamente a temperatura corporal central. A ventilação mecânica com ar aquecido e umidificado também contribui, mas com menor impacto isolado. A infusão de grandes volumes de cristaloides aquecidos é importante, mas a irrigação cavitária tem maior superfície de troca térmica.
A hipotermia no politraumatizado contribui para a tríade letal (acidose, coagulopatia e hipotermia), aumentando significativamente a morbidade e mortalidade. Ela prejudica a cascata de coagulação e a função cardíaca.
A medida mais eficaz para aquecer rapidamente um paciente com hipotermia grave (<32°C) é o aquecimento interno, como a irrigação cavitária com soluções aquecidas (peritoneal, torácica, gástrica ou vesical).
A hipotermia inibe a função plaquetária e a atividade dos fatores de coagulação, prolongando o tempo de protrombina (TP) e o tempo de tromboplastina parcial ativada (TTPa), o que agrava o sangramento em pacientes traumatizados.
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