INEP Revalida - Exame Nacional de Revalidação de Diplomas Médicos — Prova 2015
Um homem de 70 anos de idade, recém-aposentado, comparece à consulta na Unidade Básica de Saúde do seu bairro. Segundo ele, agora vai “cuidar melhor da saúde, pois não tinha muito tempo antes”. Foi diagnosticadocomodiabéticohá3anose hipertensodesde os 60 anos de idade. Ele faz uso, há aproximadamente 1 ano, de clortalidona 25 mg/dia e metformina 850 mg/dia, ambos pela manhã. Relata ganho de peso no último ano. Hoje, ao exame, apresentou bom estado geral: PA = 50 x 100 mmHg; FC = 88 bpm. A ausculta cardíaca indicou ritmo cardíaco regular em 2 tempos, sem sopros. Glicemia de jejum = 120 mg/dL (valor de referência = 80-100 mg/dL) e HbA1C (glico-hemoglobina) = 6,5% (VR = 3,8% a 6,4%). Peso = 91 kg e estatura = 164 cm. O restante do exame clínico não apresentou alterações. Considerando o caso, qual conduta deveria ser adotada na organização do plano terapêutico do paciente?
DM + HAS → Preferência por IECA/BRA para nefroproteção e controle rigoroso da PA.
Em pacientes diabéticos e hipertensos, o controle da pressão arterial é prioritário para reduzir risco cardiovascular e renal, mesmo quando o controle glicêmico está adequado.
O manejo do paciente idoso com múltiplas comorbidades exige uma visão holística e centrada na prevenção de eventos cardiovasculares. A obesidade (IMC ~33,8 kg/m²) é um fator agravante que contribui tanto para a resistência insulínica quanto para a hipertensão. A abordagem terapêutica deve incluir a manutenção de fármacos eficazes (como a Metformina para o DM2 controlado) e a introdução de agentes que ofereçam benefícios adicionais, como a nefroproteção conferida pelos IECAs. A inscrição em grupos operativos e a promoção de atividade física são pilares da Atenção Primária para melhorar a adesão e o prognóstico metabólico.
Para pacientes com Diabetes Mellitus e Hipertensão, as diretrizes atuais (como a da SBC e ADA) recomendam, em geral, alvos pressóricos menores que 130/80 mmHg, desde que tolerados pelo paciente. No idoso, essa meta deve ser individualizada, considerando a fragilidade e o risco de hipotensão ortostática. No caso apresentado, a PA de 150/100 mmHg está claramente acima do alvo, exigindo otimização terapêutica. O uso de IECA ou BRA é mandatório como primeira ou segunda linha devido ao efeito nefroprotetor comprovado em diabéticos.
O controle glicêmico é avaliado principalmente pela Hemoglobina Glicada (HbA1c). Para idosos saudáveis e com poucas comorbidades, a meta de HbA1c costuma ser inferior a 7,0% ou 7,5%. No paciente do caso, a HbA1c de 6,5% indica um excelente controle glicêmico com a dose atual de Metformina. Portanto, não há necessidade imediata de aumentar a medicação antidiabética, mas sim de reforçar medidas de estilo de vida, como dieta e atividade física, visando também a perda de peso, dado o IMC elevado.
Os Inibidores da Enzima Conversora de Angiotensina (IECA) e os Bloqueadores dos Receptores de Angiotensina (BRA) são as drogas de escolha para diabéticos hipertensos porque, além de reduzirem a pressão arterial, exercem um efeito protetor renal independente da redução da PA. Eles diminuem a pressão intraglomerular e a proteinúria, retardando a progressão da doença renal diabética. Em pacientes com microalbuminúria ou evidência de lesão de órgão-alvo, seu uso é fundamental para a preservação da função renal a longo prazo.
Responda esta e mais de 150 mil questões comentadas no MedEvo — a plataforma de residência médica com IA.
Responder questão no MedEvo