Hipertensão e Diabetes com DRC: Conduta com IECA/BRA

UNIFESP/EPM - Universidade Federal de São Paulo - Escola Paulista de Medicina — Prova 2020

Enunciado

Mulher, 66 anos de idade, diabética tipo II, procura o seu consultório com PA = 140x90 mmHg. Exames laboratoriais: taxa de filtração glomerular estimada em 38 ml/min por 1,73m² e proteinúria de 1,9g/24h. Qual é a conduta mais adequada?

Alternativas

  1. A) A pressão arterial está controlada não havendo necessidade de iniciar drogas antihipertensivas.
  2. B) Prescrição de diuréticos para evitar queda da filtração glomerular.
  3. C) Prescrição de inibidores da enzima conversora da angiotensina ou bloqueadores dos receptores da angiotensina II.
  4. D) Prescrição de bloqueador de canal de cálcio para diminuir proteinúria.
  5. E) Prescrição de inibidor da enzima de conversora da angiotensina deve ser evitado devido a função renal diminuída.

Pérola Clínica

DM2 + Hipertensão + DRC + Proteinúria → IECA/BRA II para controle pressórico e renoproteção.

Resumo-Chave

Em pacientes diabéticos com hipertensão, doença renal crônica e proteinúria, os inibidores da enzima conversora da angiotensina (IECA) ou bloqueadores dos receptores da angiotensina II (BRA II) são a primeira linha de tratamento. Eles não só controlam a pressão arterial, mas também oferecem proteção renal significativa ao reduzir a proteinúria e retardar a progressão da doença renal.

Contexto Educacional

A nefropatia diabética é uma complicação microvascular grave do diabetes mellitus, sendo a principal causa de doença renal crônica terminal. Caracteriza-se por proteinúria e declínio progressivo da taxa de filtração glomerular. O manejo adequado da hipertensão arterial é crucial para retardar sua progressão e reduzir o risco cardiovascular associado, que é elevado nesta população. O diagnóstico precoce e a intervenção terapêutica são essenciais. A fisiopatologia envolve alterações hemodinâmicas glomerulares e inflamação, levando a esclerose. A presença de proteinúria é um marcador de risco e um alvo terapêutico importante. A suspeita deve surgir em pacientes diabéticos com hipertensão e/ou alterações na função renal ou presença de albumina na urina. O tratamento com inibidores da enzima conversora da angiotensina (IECA) ou bloqueadores dos receptores da angiotensina II (BRA II) é a pedra angular da terapia, pois, além de controlar a pressão, exercem efeitos renoprotetores diretos ao reduzir a proteinúria. É vital monitorar a função renal e o potássio, mas não se deve evitar o uso desses medicamentos devido a uma TFG diminuída, pois seus benefícios superam os riscos quando bem manejados. Outras medidas incluem controle glicêmico rigoroso e modificações no estilo de vida.

Perguntas Frequentes

Qual a importância dos IECA/BRA II na nefropatia diabética?

Os IECA e BRA II são fundamentais na nefropatia diabética por controlarem a pressão arterial e, principalmente, por reduzirem a proteinúria, o que retarda a progressão da doença renal crônica e protege os rins.

Como monitorar o uso de IECA/BRA II em pacientes com DRC?

É crucial monitorar a função renal (creatinina e TFG) e os níveis de potássio sérico após o início ou ajuste da dose de IECA/BRA II, especialmente nas primeiras semanas, para detectar e manejar possíveis efeitos adversos como hipercalemia ou piora aguda da função renal.

Qual o alvo pressórico para diabéticos com doença renal crônica?

O alvo pressórico para a maioria dos pacientes diabéticos com doença renal crônica e proteinúria é geralmente < 130/80 mmHg, embora diretrizes recentes possam individualizar, visando um controle rigoroso para otimizar a proteção cardiovascular e renal.

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