UFPA/HUJBB - Hospital Universitário João de Barros Barreto - Belém (PA) — Prova 2025
Dona Alice, 60 anos, foi atendida em consulta de rotina na Estratégia Saúde da Família, onde é cadastrada, ocasião em que apresentava pressão arterial de 165/100 mmHg. Após avaliação médica, Dona Alice deverá
HAS estágio 2 sem comorbidades ou lesão de órgão-alvo → Manejo inicial na Atenção Primária (ESF/Hiperdia).
A Estratégia Saúde da Família (ESF) é a porta de entrada e o centro do cuidado para condições crônicas como a hipertensão arterial. O programa Hiperdia organiza o acompanhamento desses pacientes, promovendo o cuidado longitudinal e a prevenção de complicações, evitando referenciamentos desnecessários.
A Hipertensão Arterial Sistêmica (HAS) é uma das condições crônicas mais prevalentes e um dos principais fatores de risco para doenças cardiovasculares. A Atenção Primária à Saúde (APS), por meio da Estratégia Saúde da Família (ESF), é o nível de atenção ideal para o diagnóstico, tratamento e acompanhamento da maioria dos casos de HAS, exercendo seu papel de porta de entrada preferencial e ordenadora do cuidado no Sistema Único de Saúde (SUS). Um paciente com pressão arterial de 165/100 mmHg é classificado com HAS Estágio 2. Na ausência de sinais de emergência hipertensiva ou lesões de órgão-alvo agudas, o manejo deve ser iniciado e mantido na Unidade Básica de Saúde (UBS). A abordagem inclui a confirmação diagnóstica, estratificação do risco cardiovascular global, instituição de medidas não medicamentosas (mudança do estilo de vida) e farmacológicas. O cuidado longitudinal é fundamental e é operacionalizado por programas como o Hiperdia, que visa cadastrar e acompanhar sistematicamente os portadores de hipertensão e diabetes, garantindo consultas regulares, dispensação de medicamentos e atividades de educação em saúde. O encaminhamento para a atenção secundária (ambulatório de cardiologia) não é a conduta inicial para casos de HAS não complicada. O referenciamento se torna necessário em situações específicas, como suspeita de HAS secundária, hipertensão arterial resistente ao tratamento (não controlada com três ou mais fármacos em doses otimizadas, sendo um deles um diurético), ou quando há lesão de órgão-alvo que necessite de investigação ou manejo especializado. A APS tem alta capacidade de resolução para a grande maioria dos casos de HAS.
O diagnóstico de HAS geralmente requer medições elevadas (≥140/90 mmHg) em pelo menos duas consultas diferentes. Pode-se utilizar a Monitorização Ambulatorial da Pressão Arterial (MAPA) ou a Monitorização Residencial (MRPA) para confirmar o diagnóstico e descartar hipertensão do avental branco.
A conduta inclui a confirmação do diagnóstico, estratificação do risco cardiovascular, orientação sobre mudanças no estilo de vida (MEV) e início de terapia farmacológica. O paciente deve ser cadastrado e acompanhado no programa Hiperdia para monitoramento contínuo.
O referenciamento é indicado em casos de suspeita de HAS secundária, HAS resistente (não controlada com 3 ou mais fármacos, incluindo um diurético), emergência hipertensiva, ou presença de lesões em órgãos-alvo que exijam avaliação especializada.
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