HPP - Hospital Infantil Pequeno Príncipe (PR) — Prova 2022
Gerson, 49 anos, tem diagnóstico de hipertensão arterial sistêmica (HAS), sem outras comorbidades e sem história pessoal de eventos cardiovasculares. Tem um monitoramento ambulatorial da pressão arterial (MAPA) com médias pressóricas de 158/96 e ausência de descenso noturno da pressão arterial. Está em uso de hidroclorotiazida 25 mg/dia, de forma regular. Baseado, também em seus exames laboratoriais, você calcula um risco cardiovascular intermediário de 15% (AHA, 2019), para os próximos 10 anos. Sobre o manejo terapêutico de Gerson, marque a alternativa correta, segundo o “2019 ACC/AHA Guideline on the Primary Prevention of Cardiovascular Disease” e o Tratado de Medicina de Família e Comunidade, 2ª edição:
HAS descontrolada em monoterapias → adicionar 2ª droga. Risco CV intermediário + HF DCV precoce → considerar estatina moderada potência.
Em pacientes com hipertensão arterial sistêmica descontrolada em monoterapias, a adição de uma segunda droga anti-hipertensiva é a conduta padrão. Para pacientes com risco cardiovascular intermediário, a presença de fatores de risco adicionais, como história familiar de doença cardiovascular precoce, justifica a consideração de uma estatina de moderada potência para prevenção primária, conforme as diretrizes atuais.
O manejo da hipertensão arterial sistêmica (HAS) é um pilar fundamental na prevenção de doenças cardiovasculares. O caso de Gerson ilustra uma situação comum de HAS descontrolada em monoterapias, onde a pressão arterial (158/96 mmHg) permanece acima da meta, mesmo com o uso regular de hidroclorotiazida. As diretrizes atuais, como a ACC/AHA 2019, preconizam a intensificação do tratamento nesses casos, geralmente com a adição de uma segunda droga anti-hipertensiva, preferencialmente um inibidor da ECA/BRA ou um bloqueador dos canais de cálcio, em combinação com o diurético. Além do controle pressórico, a avaliação do risco cardiovascular global é essencial. Gerson apresenta um risco cardiovascular intermediário (15% em 10 anos), uma faixa onde a decisão de iniciar estatina para prevenção primária requer uma análise mais aprofundada. A presença de 'risk enhancers', como a história familiar de doença cardiovascular precoce, é um fator determinante para inclinar a balança a favor da terapia com estatina. Nesses cenários, uma estatina de moderada potência é uma opção terapêutica razoável, visando reduzir o risco de eventos futuros. É crucial que o médico de família e comunidade esteja atualizado com as diretrizes e seja capaz de individualizar o tratamento, considerando não apenas os números da pressão arterial e do colesterol, mas também o perfil de risco completo do paciente. A ausência de descenso noturno da pressão arterial, evidenciada pelo MAPA, é outro fator de risco que reforça a necessidade de um controle rigoroso e uma abordagem terapêutica abrangente.
A terapia combinada é indicada quando a pressão arterial não é controlada com uma única droga anti-hipertensiva em dose máxima, ou quando a pressão arterial inicial é significativamente elevada (ex: > 20/10 mmHg acima da meta).
Fatores como história familiar de doença cardiovascular precoce, doença renal crônica, síndrome metabólica, pré-eclâmpsia na história, e marcadores inflamatórios elevados (ex: PCR ultrassensível) são considerados 'risk enhancers' que podem justificar o uso de estatina.
A ausência de descenso noturno (non-dipper pattern) é um marcador de risco cardiovascular aumentado, associado a maior dano em órgãos-alvo e eventos cardiovasculares, e deve ser considerada na avaliação e manejo da hipertensão.
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