UERJ/HUPE - Hospital Universitário Pedro Ernesto (RJ) — Prova 2023
Mulher de 50 anos, apresenta aferições de pressão arterial (PA) sistólica na faixa de 160 a 170mmHg e PA diastólica de 80 a 95mmHg. O exame clínico é normal, exceto por B4, como bulha acessória. O eletrocardiograma (ECG) indica aumento da amplitude da onda R em precordiais esquerdas, índice de Morris aumentado e padrão do segmento ST tipo “strain”. Além de modificações de estilo de vida e dieta hipossódica, a melhor conduta será:
HAS estágio 2 + HVE no ECG → Iniciar IECAs/BRA + tiazídico. Não aguardar apenas MVE.
A paciente apresenta hipertensão arterial estágio 2 (PA sistólica 160-170 mmHg) com evidências de lesão de órgão-alvo (hipertrofia ventricular esquerda no ECG). Nesses casos, a terapia medicamentosa deve ser iniciada imediatamente, em conjunto com as modificações de estilo de vida, sendo os inibidores da enzima de conversão da angiotensina (IECAs) ou bloqueadores do receptor da angiotensina (BRAs) e diuréticos tiazídicos opções de primeira linha.
A hipertensão arterial sistêmica (HAS) é uma doença crônica multifatorial caracterizada por níveis elevados e sustentados da pressão arterial, sendo um dos principais fatores de risco para doenças cardiovasculares, cerebrovasculares e renais. Sua prevalência é alta na população adulta, e o diagnóstico precoce e o manejo adequado são fundamentais para prevenir complicações. A classificação da HAS em estágios orienta a conduta terapêutica, sendo o estágio 2 (PA sistólica ≥ 160 mmHg ou diastólica ≥ 100 mmHg) um indicativo de maior risco. A fisiopatologia da HAS envolve uma complexa interação de fatores genéticos e ambientais que levam ao aumento da resistência vascular periférica e/ou do débito cardíaco. A presença de lesão de órgão-alvo, como a hipertrofia ventricular esquerda (HVE) evidenciada no eletrocardiograma (ECG) por aumento da amplitude da onda R e padrão 'strain', indica um estágio mais avançado da doença e um risco cardiovascular elevado. A HVE é uma resposta adaptativa do coração ao aumento crônico da pós-carga, mas que, a longo prazo, leva à disfunção cardíaca. O tratamento da HAS envolve modificações de estilo de vida (dieta hipossódica, exercícios, cessação do tabagismo) e terapia medicamentosa. Em pacientes com HAS estágio 2 e evidência de lesão de órgão-alvo, a terapia medicamentosa deve ser iniciada imediatamente. As diretrizes atuais recomendam o uso de combinações de fármacos, sendo os inibidores da enzima de conversão da angiotensina (IECAs) ou bloqueadores do receptor da angiotensina (BRAs) associados a diuréticos tiazídicos ou bloqueadores dos canais de cálcio as opções preferenciais. O objetivo é atingir as metas de pressão arterial para reduzir o risco de eventos cardiovasculares e a progressão da lesão de órgão-alvo. O prognóstico melhora significativamente com o controle adequado da pressão arterial.
A hipertensão arterial estágio 2 é diagnosticada quando a pressão arterial sistólica é igual ou superior a 160 mmHg ou a pressão arterial diastólica é igual ou superior a 100 mmHg. A paciente do caso apresenta PA sistólica na faixa de 160 a 170 mmHg, confirmando este estágio.
A HVE é uma lesão de órgão-alvo comum na hipertensão não controlada, indicando que o coração está trabalhando mais para bombear sangue contra uma resistência elevada. Sua presença aumenta significativamente o risco de eventos cardiovasculares, como infarto do miocárdio, insuficiência cardíaca e morte súbita, e exige tratamento anti-hipertensivo mais agressivo.
IECAs e diuréticos tiazídicos são classes de anti-hipertensivos de primeira linha. Os IECAs (e BRAs) são particularmente eficazes na regressão da HVE e na proteção renal. Os diuréticos tiazídicos potencializam o efeito anti-hipertensivo e são úteis na combinação, sendo uma estratégia recomendada para o controle da pressão e redução do risco cardiovascular.
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