Hiperglicemia Hospitalar: Manejo em Pacientes Não Diabéticos

Santa Casa de Goiânia (GO) — Prova 2021

Enunciado

Leia o caso clínico a seguir.Paciente do sexo masculino, de 45 anos, internado na enfermaria de clínica médica com quadro de pneumonia bacteriana multilobar, bilateral. Na história clínica, negava ser diabético, apesar de não fazer nenhum exame laboratorial há mais de dois anos. Avô paterno com diabetes mellitus tipo 2. Glicemia colhida na admissão, sem jejum, de 142 mg/dL. Função renal normal. HbA1C: 6,1%.Segundo o guideline da Endocrine Society, qual a melhor conduta para esse paciente durante o período de internação?

Alternativas

  1. A) Monitorar glicemia nos períodos antes das refeições e antes de dormir. Iniciar terapia com insulina, preferencialmente esquema basal + bolos, se glicemias capilares ficarem acima de 180 mg/dL, persistentemente.
  2. B) Monitorar glicemia nos períodos após refeições e antes de dormir. Iniciar terapia com insulina, preferencialmente esquema basal + bolus, se glicemias capilares forem, persistentemente, acima de 200 mg/dL.
  3. C) Iniciar terapia com insulina, preferencialmente com uso de escala de insulina de ação rápida de acordo com valor de glicemia pré-prandial e antes de dormir. Reservar uso de insulina basal apenas para pacientes com diagnóstico conhecido de diabetes mellitus ou glicemias capilares com valores acima de 240 mg/dL.
  4. D) Esse paciente não tem indicação de monitorização da glicemia capilar nem de insulinoterapia durante o período de internação, por apresentar valor de HbA1C fora da faixa diagnóstica de diabetes mellitus.

Pérola Clínica

Glicemia > 140 mg/dL ou HbA1C > 5,7% em internado → monitorar e tratar se > 180 mg/dL.

Resumo-Chave

Pacientes internados, mesmo sem diagnóstico prévio de DM, com glicemia > 140 mg/dL ou HbA1C elevada, devem ser monitorados. O tratamento com insulina basal-bolus é indicado se a glicemia persistir acima de 180 mg/dL para evitar complicações e melhorar desfechos.

Contexto Educacional

A hiperglicemia hospitalar é uma condição comum e está associada a piores desfechos clínicos, incluindo aumento da mortalidade e tempo de internação, mesmo em pacientes sem diagnóstico prévio de diabetes. É definida por glicemia > 140 mg/dL e pode ser causada por estresse, medicamentos ou diabetes mellitus não diagnosticado, sendo crucial sua identificação e manejo. O rastreamento de diabetes mellitus em pacientes internados inclui glicemia de jejum, glicemia aleatória e HbA1C. Pacientes com glicemia > 140 mg/dL ou HbA1C > 5,7% devem ser monitorados ativamente. A fisiopatologia envolve resistência à insulina, aumento da produção hepática de glicose e liberação de hormônios contrarreguladores, exacerbados pelo estresse da doença aguda. O tratamento visa manter a glicemia entre 140-180 mg/dL na maioria dos pacientes. A insulinoterapia basal-bolus é a estratégia preferencial, ajustada conforme a necessidade individual. A alta hospitalar requer um plano de manejo da glicemia, incluindo educação do paciente e, se necessário, encaminhamento para acompanhamento ambulatorial.

Perguntas Frequentes

Quais são os critérios para iniciar o monitoramento da glicemia em pacientes internados?

O monitoramento da glicemia deve ser iniciado em pacientes internados com glicemia aleatória > 140 mg/dL, história prévia de diabetes, ou fatores de risco como obesidade e história familiar de diabetes.

Quando a insulinoterapia é indicada para hiperglicemia hospitalar?

A insulinoterapia é indicada quando a glicemia capilar persistentemente excede 180 mg/dL, com o objetivo de manter os níveis entre 140-180 mg/dL na maioria dos pacientes para otimizar o controle metabólico.

Qual o esquema de insulina preferencial para pacientes internados?

O esquema basal-bolus é o preferencial para a maioria dos pacientes internados com hiperglicemia, combinando insulina de ação prolongada (basal) com insulina de ação rápida (bolus) nas refeições e, se necessário, para correção.

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