HIAE/Einstein - Hospital Israelita Albert Einstein (SP) — Prova 2025
Manuel, um paciente diabético de longa data, veio à UBS hoje porque não está se sentido muito bem; está tonto, com a visão estranha e fazendo mais xixi que o habitual; nega outras queixas. Veio, também, porque iniciou o uso de insulina NPH, há 10 dias, e precisa fazer o controle glicêmico na UBS. Foi encaminhado para a sala de avaliação, onde foi feita a medida da sua glicemia – sendo encontrado o valor de 288 mg/dL – realizado um exame na sua urina, cujo resultado foi cetonúria negativa.Diante desse quadro, qual alternativa descreve a conduta acertada?
Hiperglicemia >250 mg/dL sem cetonúria na UBS → Insulina regular SC (dose de correção) + hidratação oral + reavaliação.
Em um paciente diabético com hiperglicemia sintomática mas sem sinais de cetoacidose (cetonúria negativa), o manejo pode ser feito na atenção primária. A conduta envolve uma dose de correção com insulina de ação rápida (regular) e hidratação, evitando uma ida desnecessária à emergência.
A hiperglicemia é uma complicação comum no manejo do diabetes mellitus e pode, muitas vezes, ser manejada na Atenção Primária à Saúde (APS), evitando hospitalizações desnecessárias. A avaliação inicial do paciente na Unidade Básica de Saúde (UBS) é crucial para diferenciar uma hiperglicemia simples de uma emergência hiperglicêmica, como a cetoacidose diabética (CAD) ou o estado hiperglicêmico hiperosmolar (EHH). A principal ferramenta para essa diferenciação é a pesquisa de cetonúria. Um paciente com glicemia elevada (ex: >250 mg/dL), sintomático (poliúria, polidipsia, visão turva), mas com cetonúria negativa, sem sinais de desidratação grave ou alteração do nível de consciência, pode ser tratado ambulatorialmente. A ausência de cetonas indica que ainda há insulina endógena ou exógena suficiente para prevenir a lipólise e a cetogênese descontrolada. O manejo consiste na administração de uma dose de correção de insulina de ação rápida (Regular) ou ultrarrápida (análogos), geralmente calculada como 10-20% da dose diária total de insulina do paciente. A hidratação oral deve ser incentivada, e o paciente deve ser mantido em observação na unidade, com reavaliação da glicemia capilar em 2 a 4 horas. Após a resolução do quadro agudo, é fundamental investigar a causa da descompensação (adesão, dieta, infecção) e ajustar o tratamento de base.
O encaminhamento é indicado na presença de sinais de alarme: cetonúria positiva, alteração do nível de consciência, sinais de desidratação grave (hipotensão, taquicardia), vômitos persistentes que impeçam a hidratação oral, ou glicemia capilar > 500 mg/dL.
Uma abordagem prática na UBS é usar 10-20% da dose diária total de insulina do paciente como bolus de correção. Outra forma é usar o fator de sensibilidade à insulina (FSI), se conhecido, para calcular as unidades necessárias para reduzir a glicemia até a meta.
A insulina NPH é de ação intermediária, com início de ação em 2-4 horas e pico em 4-10 horas. Para correção aguda, é necessária uma insulina de ação rápida (regular) ou ultrarrápida (análogos), que começam a agir em minutos e têm picos mais precoces e previsíveis.
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