Hipercalemia Grave: Manejo e Tratamento de Urgência

HEVV - Hospital Evangélico de Vila Velha (ES) — Prova 2020

Enunciado

Uma paciente internada na UTI por sepse abdominal desenvolve bradicardia (FC= 40 bpm). No ECG nota-se alargamento do QRS e desaparecimento de ondas P. O débito urinário das últimas 24 horas foi de 200 ml, a creatinina plasmática estava em 6,8 mg/dl, sódio de 140 mEq/l e potássio de 7,8 mEq/l. Quais seriam as formas de reduzir os níveis de potássio corpóreo deste paciente?

Alternativas

  1. A) diálise, diurético de alça e bicarbonato de sódio.
  2. B) glicoinsulinoterapia, bicarbonato de sódio e gluconato de cálcio.
  3. C) glicoinsulinoterapia, poliestirenossulfonato de cálcio e bicarbonato de sódio.
  4. D) diálise, diurético de alça e poliestirenossulfonato de cálcio.
  5. E) diurético de alça, gluconato de cálcio e diálise.

Pérola Clínica

Hipercalemia grave com alterações ECG → Gluconato Ca (estabiliza membrana), depois deslocamento K (glicoinsulina, bicarbonato) e remoção (diálise, diurético, resinas).

Resumo-Chave

A hipercalemia grave, especialmente com alterações eletrocardiográficas como QRS alargado e bradicardia, é uma emergência médica. O tratamento visa estabilizar a membrana cardíaca (gluconato de cálcio), deslocar o potássio para o intracelular (glicoinsulinoterapia, bicarbonato de sódio) e remover o potássio do corpo (diálise, diuréticos de alça, resinas de troca iônica).

Contexto Educacional

Hipercalemia é uma condição comum e potencialmente fatal, caracterizada por níveis séricos de potássio > 5,5 mEq/L. A gravidade aumenta com níveis > 6,5 mEq/L e na presença de alterações eletrocardiográficas, como ondas T apiculadas, prolongamento do PR, alargamento do QRS e, em casos extremos, bradicardia e assistolia. É frequentemente associada à insuficiência renal, rabdomiólise e uso de certos medicamentos. A fisiopatologia envolve a alteração do potencial de membrana das células excitáveis, especialmente miocárdio e neurônios, levando a arritmias cardíacas e fraqueza muscular. O diagnóstico é feito pela dosagem sérica de potássio e ECG. A suspeita clínica deve ser alta em pacientes com insuficiência renal, uso de IECA/BRA, diuréticos poupadores de potássio ou em estados catabólicos. O tratamento da hipercalemia grave é uma emergência. Inicia-se com estabilização da membrana cardíaca (gluconato de cálcio), seguida por medidas para deslocar o potássio para o intracelular (glicoinsulinoterapia, bicarbonato de sódio) e, finalmente, para remover o potássio do corpo (diuréticos de alça, resinas de troca iônica como poliestirenossulfonato de cálcio, e diálise em casos de insuficiência renal ou refratariedade). A escolha depende da gravidade e da função renal do paciente.

Perguntas Frequentes

Quais são os sinais de hipercalemia grave no ECG?

A hipercalemia grave pode causar ondas T apiculadas e estreitas, prolongamento do intervalo PR, desaparecimento da onda P, alargamento do complexo QRS e, em casos extremos, bradicardia, taquicardia ventricular e assistolia.

Qual a conduta inicial na hipercalemia grave com alterações eletrocardiográficas?

A conduta inicial é a administração intravenosa de gluconato de cálcio para estabilizar a membrana cardíaca e proteger o miocárdio contra os efeitos arritmogênicos do potássio elevado. Esta medida não reduz o potássio sérico, mas é crucial para a segurança do paciente.

Quando a diálise é indicada para tratar a hipercalemia?

A diálise é indicada para hipercalemia grave e refratária ao tratamento medicamentoso, em pacientes com insuficiência renal aguda ou crônica que não conseguem excretar potássio, ou na presença de alterações eletrocardiográficas graves e persistentes.

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