Hipercalemia Grave: Diagnóstico e Tratamento Imediato

FELUMA/FCM-MG - Fundação Educacional Lucas Machado - Ciências Médicas (MG) — Prova 2026

Enunciado

Paciente de 65 anos de idade, com doença renal crônica e insuficiência cardiaca, em uso de enalapril e espironolactona, apresenta fraqueza muscular progressiva e continua. Ao exame, nota se bradicardia (FC 45 bpm) e pressão arterial 100 60 mmHg. O ECG (na imagem seguinte) mostra: ondas T apiculadas difusas, QRS alargado e ausência de ondas P. Exames laboratoriais: potássio: 7,2 mEq/L; creatinina: 4,5 mg/dL; pH 7,25, Realizou eletrocardiograma com a seguinte imagem: AVR AVT 73 113 AVT 11 Fonte: do(a) autor(a). Com relação ao quadro clinico descrito acima, considerando o ECG e os achados laboratoriais, assinale a alternativa que apresenta a conduta imediata CORRETA.

Alternativas

  1. A) Iniciar resina de troca e furosemida venosa.
  2. B) Agendar hemodiálise eletiva para o dia seguinte.
  3. C) Suspender IECA/espironolactona e repetir K+ em 6h.
  4. D) Iniciar gluconato de cálcio venoso + insulina + glicose + salbutamol.

Pérola Clínica

Hipercalemia grave com ECG alterado → Estabilização de membrana com gluconato de cálcio + desvio de K+ intracelular (insulina/glicose/salbutamol).

Resumo-Chave

A hipercalemia grave com alterações eletrocardiográficas (ondas T apiculadas, QRS alargado, ausência de onda P) é uma emergência médica; a conduta imediata visa estabilizar a membrana cardíaca com gluconato de cálcio e promover o desvio de potássio para o intracelular com insulina, glicose e salbutamol.

Contexto Educacional

A hipercalemia é uma emergência eletrolítica que pode ser fatal devido aos seus efeitos cardíacos. Pacientes com doença renal crônica e em uso de medicamentos como inibidores da enzima conversora de angiotensina (IECA) e espironolactona têm risco aumentado. O reconhecimento precoce dos sinais e sintomas, juntamente com as alterações eletrocardiográficas características, é crucial para um manejo adequado. O tratamento da hipercalemia grave com alterações no ECG exige uma abordagem multifacetada. A prioridade é a estabilização da membrana cardíaca com gluconato de cálcio, seguido por medidas para deslocar o potássio para o compartimento intracelular (insulina com glicose, beta-agonistas como salbutamol) e, finalmente, a remoção do potássio do corpo (diuréticos de alça, resinas de troca, ou hemodiálise em casos refratários ou de insuficiência renal grave). A suspensão dos agentes causadores é fundamental, mas não a conduta imediata para estabilização.

Perguntas Frequentes

Quais são as alterações eletrocardiográficas da hipercalemia grave?

As alterações incluem ondas T apiculadas e simétricas, encurtamento do intervalo QT, prolongamento do PR, alargamento do QRS e, em casos extremos, ausência de onda P e padrão sinusoidal.

Qual o papel do gluconato de cálcio no tratamento da hipercalemia?

O gluconato de cálcio não reduz o nível sérico de potássio, mas estabiliza o potencial de membrana dos cardiomiócitos, protegendo o coração dos efeitos arritmogênicos da hipercalemia.

Quais medicamentos podem causar hipercalemia em pacientes com doença renal crônica?

Inibidores da ECA (enalapril), bloqueadores do receptor de angiotensina (BRA), diuréticos poupadores de potássio (espironolactona, amilorida), AINEs e trimetoprim-sulfametoxazol são causas comuns.

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