Hemorragia Maciça no Trauma: Reposição com PFC e ROTEM

HCB - Hospital de Amor de Barretos - Unidade Porto Velho (RO) — Prova 2020

Enunciado

Paciente de 19 anos, vítima de trauma abdominal fechado é levado ao centro cirúrgico para exploração da cavidade abdominal. Durante a laparotomia, foi evidenciado sangramento ativo e intenso em região do fígado e de veia porta. Paciente fica hipotenso e pouco responsivo a administração de cristaloides. É realizado a tromboelastrometria (ROTEM) com a seguinte curva: A reposição mais adequada neste momento é de: 

Alternativas

  1. A) Ácido tranexâmico.
  2. B) Plasma Fresco Congelado.
  3. C) Plaquetas.
  4. D) Fibrinogênio.

Pérola Clínica

Hemorragia maciça com coagulopatia (ROTEM) → reposição de Plasma Fresco Congelado para fatores de coagulação.

Resumo-Chave

Em pacientes com trauma e sangramento ativo, a hipotensão e a falha na resposta a cristaloides indicam choque hipovolêmico grave. A tromboelastrometria (ROTEM) é crucial para guiar a reposição de componentes sanguíneos, e uma curva que sugere deficiência de fatores de coagulação aponta para a necessidade de Plasma Fresco Congelado.

Contexto Educacional

O manejo da hemorragia maciça no trauma é um desafio crítico na medicina de emergência, exigindo uma abordagem rápida e coordenada. A coagulopatia trauma-induzida é uma complicação comum e grave, contribuindo significativamente para a mortalidade. A compreensão dos mecanismos fisiopatológicos e a aplicação de protocolos de transfusão maciça são essenciais para otimizar os resultados dos pacientes. Residentes devem estar aptos a reconhecer os sinais de choque hipovolêmico e a iniciar as medidas de reanimação adequadas. A avaliação da coagulação à beira do leito, como a tromboelastrometria (ROTEM), tem revolucionado o manejo da coagulopatia no trauma, permitindo uma terapia de reposição mais precisa e personalizada. Diferente dos exames de coagulação convencionais que fornecem apenas um instantâneo estático, a ROTEM avalia a formação e lise do coágulo em tempo real, identificando deficiências de fatores, fibrinogênio ou plaquetas. Isso permite a administração direcionada de Plasma Fresco Congelado, crioprecipitado ou plaquetas, evitando o uso excessivo de componentes sanguíneos e suas complicações. O Plasma Fresco Congelado (PFC) é a principal fonte de fatores de coagulação e é crucial na reversão da coagulopatia. Sua indicação é baseada em evidências de sangramento ativo com coagulopatia laboratorial ou clínica, ou como parte de um protocolo de transfusão maciça. A administração precoce e adequada de PFC, guiada por exames como a ROTEM, pode melhorar significativamente a hemostasia, reduzir a necessidade de transfusões adicionais e, em última instância, impactar positivamente a sobrevida do paciente traumatizado.

Perguntas Frequentes

Quais são os sinais de coagulopatia em um paciente traumatizado?

Sinais de coagulopatia incluem sangramento persistente apesar da compressão, sangramento difuso em sítios cirúrgicos ou de punção, e alterações nos exames laboratoriais como TP/INR e TTPa prolongados, ou achados específicos na tromboelastrometria (ROTEM/TEG).

Quando o Plasma Fresco Congelado (PFC) é indicado no trauma?

O PFC é indicado no trauma para reverter a coagulopatia em pacientes com hemorragia maciça, especialmente quando há evidência de deficiência de fatores de coagulação (ex: ROTEM/TEG alterado, TP/INR > 1.5) ou após grandes volumes de transfusão de hemácias e cristaloides.

Qual a importância da tromboelastrometria (ROTEM) no manejo do trauma?

A ROTEM é fundamental no manejo do trauma porque fornece uma avaliação rápida e abrangente da coagulação em tempo real, permitindo identificar deficiências específicas (fibrinogênio, plaquetas, fatores de coagulação) e guiar a reposição de componentes sanguíneos de forma mais direcionada e eficaz.

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