SEMUSA (SMS) Macaé — Prova 2022
A respeito do paciente vítima de queimadura, são apresentadas as seguintes afirmativas a seguir: I - Se não for realizada a reposição hídrica adequada após a lesão térmica, o quadro da desidratação e perda de líquido para o terceiro espaço aumenta o risco de choque hipovolêmico, podendo ser agravado pela perda contínua de água pela superfície queimada. II - Um risco comum no paciente grande queimado é o desenvolvimento de lesões de mucosa gástrica e duodenal secundárias a isquemia focal, com risco de desenvolvimento de úlcera de Curling, adicionando a chance de hemorragia digestiva. III - O paciente queimado deve ser considerado politraumatizado e o seu atendimento deve seguir o protocolo do ATLS. IV - O paciente grande queimado necessita de suporte nutricional pela resposta hipermetabólica. A nutrição parenteral é a primeira escolha devido a isquemia focal no trato gastrointestinal e o desenvolvimento de íleo adinâmico devido a grande perda de líquidos para o terceiro espaço. A nutrição enteral deve ser evitada nas primeiras 48 horas, só sendo introduzida após o retorno da peristalse normal. V - Os cuidados pré-hospitalares com a área queimada são básicos e simples, como a aplicação de um curativo úmido ou um lençol úmido com soro aquecido. Cobrir o ferimento causado pela queimadura pode piorar a dor, sendo necessário iniciar analgésicos rapidamente. Marque a alternativa correta:
Grande queimado: Risco de choque hipovolêmico, úlcera de Curling e deve seguir ATLS. Nutrição enteral precoce é preferencial.
Pacientes grandes queimados têm alto risco de choque hipovolêmico devido à perda maciça de fluidos e devem ser manejados seguindo o protocolo ATLS. A úlcera de Curling é uma complicação gastrointestinal comum. A nutrição enteral precoce é a via preferencial para suporte nutricional.
O paciente grande queimado representa um desafio clínico complexo, exigindo uma abordagem multidisciplinar e um manejo intensivo. A lesão térmica causa uma resposta inflamatória sistêmica maciça, levando a um aumento da permeabilidade capilar e perda significativa de fluidos para o terceiro espaço, o que, se não corrigido com reposição hídrica agressiva, culmina em choque hipovolêmico. Além disso, a perda da barreira cutânea predispõe a infecções e hipotermia. É fundamental que o atendimento inicial siga os princípios do ATLS (Advanced Trauma Life Support), considerando o paciente queimado como um politraumatizado, com avaliação e estabilização das vias aéreas, respiração e circulação. Uma complicação gastrointestinal comum é a úlcera de Curling, uma úlcera de estresse que pode levar a hemorragia digestiva, necessitando de profilaxia. O suporte nutricional é crítico devido ao estado hipermetabólico extremo. A nutrição enteral precoce (nas primeiras 24-48 horas) é a via de escolha, pois ajuda a preservar a integridade da mucosa intestinal e a modular a resposta inflamatória, sendo superior à nutrição parenteral, que deve ser reservada para situações específicas de intolerância ou contraindicação à via enteral. Os cuidados pré-hospitalares devem focar na segurança, resfriamento da queimadura (com água limpa e fria, mas evitando hipotermia em grandes áreas) e cobertura com panos limpos e secos para reduzir a dor e prevenir contaminação.
Os riscos imediatos incluem choque hipovolêmico devido à grande perda de fluidos e eletrólitos pela superfície queimada e para o terceiro espaço, risco de hipotermia, lesões por inalação e infecção. A avaliação e reposição hídrica adequada são cruciais.
A úlcera de Curling é uma úlcera de estresse aguda que afeta a mucosa gástrica e duodenal em pacientes com grandes queimaduras. Ela ocorre devido à isquemia da mucosa gastrointestinal, resultante da hipovolemia e da resposta inflamatória sistêmica, além do aumento da produção de ácido gástrico.
A nutrição enteral é a via preferencial e deve ser iniciada precocemente (nas primeiras 24-48 horas) em pacientes grandes queimados, mesmo na presença de íleo adinâmico leve. Ela ajuda a manter a integridade da barreira intestinal, modula a resposta inflamatória e previne a translocação bacteriana. A nutrição parenteral é reservada para casos em que a via enteral é contraindicada ou insuficiente.
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