UniEVANGÉLICA - Universidade Evangélica de Goiás — Prova 2022
Homem de 52 anos comparece ao ambulatório central após internação hospitalar recente para tratamento de um primeiro episódio de monoartrite aguda por gota. Nega hipertensão arterial ou diabetes, apresenta circunferência de cintura aumentada e obesidade (IMC = 31 kg/m²). Não há mais sintomas de artrite há 3 semanas. Em relação à prevenção de novas crises de gota, a melhor abordagem é
Primeiro episódio de gota sem tofos: priorizar mudanças no estilo de vida antes de iniciar terapia hipouricemiante.
Em pacientes com primeiro episódio de gota e sem tofos, a abordagem inicial foca em modificações do estilo de vida, como perda de peso e redução do consumo de álcool. A terapia hipouricemiante (ex: alopurinol) é discutida após a resolução da crise aguda e avaliando o risco-benefício individual, não sendo uma indicação imediata.
A gota é uma doença inflamatória causada pela deposição de cristais de monourato de sódio em articulações e tecidos, resultante da hiperuricemia. É uma das formas mais comuns de artrite inflamatória, com prevalência crescente devido a fatores como obesidade, síndrome metabólica e uso de diuréticos. O manejo adequado é crucial para prevenir a recorrência das crises e o desenvolvimento de complicações crônicas, como tofos e artropatia gotosa. O diagnóstico da gota é clínico, mas a confirmação definitiva é feita pela identificação de cristais de urato no líquido sinovial. A fisiopatologia envolve a supersaturação de urato no sangue, levando à cristalização e subsequente resposta inflamatória. No contexto de um primeiro episódio, especialmente sem tofos, a prioridade é controlar a inflamação aguda e, em seguida, abordar os fatores de risco modificáveis para prevenir futuras crises. O tratamento da crise aguda envolve anti-inflamatórios não esteroides (AINEs), colchicina ou corticosteroides. Para a prevenção de novas crises, as modificações no estilo de vida são a primeira linha, incluindo perda de peso, restrição de álcool e dieta. A terapia hipouricemiante (alopurinol, febuxostate) é reservada para casos com critérios específicos, como crises recorrentes ou tofos, e deve ser iniciada após a resolução da crise aguda, muitas vezes com profilaxia anti-inflamatória para evitar crises de deflagração.
As recomendações incluem perda de peso para pacientes com obesidade, restrição do consumo de álcool (especialmente cerveja e destilados), redução da ingestão de alimentos ricos em purinas (carnes vermelhas, frutos do mar) e aumento da ingestão de laticínios com baixo teor de gordura e vitamina C.
A terapia hipouricemiante é geralmente indicada para pacientes com gota recorrente (duas ou mais crises por ano), presença de tofos, doença renal crônica (estágio 2 ou superior), urolitíase por ácido úrico ou níveis séricos de ácido úrico persistentemente elevados (> 9 mg/dL) mesmo após modificações de estilo de vida.
O objetivo do tratamento hipouricemiante é manter o nível sérico de ácido úrico abaixo de 6 mg/dL. Em pacientes com tofos ou gota grave, um alvo mais agressivo de < 5 mg/dL pode ser considerado para promover a dissolução dos cristais.
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