PUC-PR Saúde - Pontifícia Universidade Católica do Paraná — Prova 2019
Ernestina, 84 anos, admitida via Pronto Socorro do Hospital Cajuru para fixação de fratura do colo do fêmur à esquerda. História prévia de: - Hipertensão, em uso domiciliar de Losartana 50mg, 2 vezes ao dia e Hidroclorotiazida 25mg ao dia. - Diabetes mellitus tipo 2, em uso domiciliar de Linagliptina 5mg ao dia e Metformina 2g ao dia. - Dislipidemia, com história de doença arterial coronariana e infarto do miocárdio, fazendo uso de Atorvastatina 40mg ao dia e Ácido Acetil Salicílico 81mg ao dia. - Insônia, em uso de Amitriptilina 75mg à noite, além de Bromazepan 3mg. Além desses medicamentos, faz uso habitual de Omeprazol 40 mg pela manhã e Nimesulida 100mg a cada 8h por “queimação nas pernas”. Exames Laboratoriais na admissão mostram Hb de 8,8, VCM de 70 fL, leucócitos de 5200 por mm3, com diferencial normal, plaquetas de 540.000 por mm3, potássio de 4,5 mEq por L, sódio de 135 mEq por L, creatinina de 2,0mg por dL, uréia de 120 mg por dL, glicemia com jejum de 240mg por dL. O Eletrocardiograma revela ritmo sinusal, com frequência cardíaca de 88 bpm, sem sinais de bloqueios ou arritmias. A radiografia de tórax mostra área cardíaca aumentada, sem sinais de apagamento dos seios costofrênicos e parênquima pulmonar sem alterações. Sobre o caso clínico apresentado, assinale CERTO para verdadeiro e ERRADO para falso para a afirmação a seguir: Linagliptina é uma medicação antidiabética oral que deve ser mantida durante o internamento.
Internação/Cirurgia → Suspender antidiabéticos orais e iniciar insulinoterapia (esquema basal-bolus).
Pacientes hospitalizados com condições agudas ou cirúrgicas devem ter seus antidiabéticos orais suspensos para evitar hipoglicemia ou efeitos adversos, priorizando o controle com insulina.
O manejo do diabetes no ambiente hospitalar difere significativamente do ambulatorial. O estresse cirúrgico e inflamatório desencadeia a liberação de hormônios contrarreguladores (cortisol, catecolaminas), elevando a glicemia. A manutenção de antidiabéticos orais (ADOs) é frequentemente inadequada para atingir as metas recomendadas (geralmente 140-180 mg/dL para a maioria dos pacientes não críticos). A Linagliptina, embora segura do ponto de vista renal, não oferece a flexibilidade necessária para o ajuste fino exigido no perioperatório. Além disso, a paciente apresenta sinais de fragilidade e polifarmácia, o que reforça a necessidade de simplificar o regime terapêutico e focar na segurança. A anemia microcítica (VCM 70) e o uso crônico de AINEs sugerem sangramento gastrointestinal oculto, outra complicação que deve ser investigada.
Durante a hospitalização, especialmente em situações de estresse agudo como uma fratura de fêmur, a resistência insulínica aumenta e as necessidades metabólicas mudam. Antidiabéticos orais como a Linagliptina têm eficácia limitada para ajustes rápidos e podem mascarar a necessidade de um controle mais rigoroso. Além disso, a paciente apresenta disfunção renal (Creatinina 2.0), o que exige cautela com diversas medicações, embora a Linagliptina não exija ajuste renal estrito, a conduta padrão hospitalar é a transição para insulina para maior segurança e previsibilidade.
A insulina é o padrão-ouro para o manejo da hiperglicemia em pacientes internados. O esquema preferencial é o basal-bolus (insulina de ação longa associada a doses de ação rápida antes das refeições), que mimetiza a fisiologia pancreática. O uso isolado de 'esquema móvel' (apenas correção) é desencorajado por levar a maior variabilidade glicêmica. Em pacientes idosos e frágeis, as metas de glicemia podem ser ligeiramente mais flexíveis (ex: 140-180 mg/dL) para evitar hipoglicemias graves.
A Metformina deve ser suspensa devido ao risco de acidose lática em vigência de insuficiência renal aguda/crônica agudizada e uso de contraste se necessário. O Nimesulide (AINE) é contraindicado pelo risco de piora da função renal e sangramento digestivo (já sugerido pela anemia microcítica). A Amitriptilina e o Bromazepam aumentam o risco de delirium e quedas em idosos (critérios de Beers), devendo ser reavaliados criteriosamente no ambiente hospitalar.
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