UNESC - Centro Universitário do Espírito Santo — Prova 2026
Homem de 62 anos, submetido a laparotomia por peritonite perfurativa, evoluiu com abdome aberto devido a edema visceral. No décimo dia de pós-operatório, apresenta fístula enteroatmosférica de alto débito, perda ponderal, hipoalbuminemia e erosão cutânea ao redor do trajeto. Qual a estratégia global mais adequada nesta fase?
Fístula enteroatmosférica alto débito → Priorizar controle sepse, proteção pele, otimização nutricional = Reconstrução definitiva tardia.
O manejo inicial da fístula enteroatmosférica de alto débito em abdome aberto foca na estabilização do paciente: controle da sepse, proteção da pele perilesional e suporte nutricional agressivo, frequentemente com nutrição parenteral ou enteral distal. A reconstrução cirúrgica definitiva é postergada para uma fase tardia, após a otimização clínica e nutricional do paciente, devido aos altos riscos de falha e complicações em um ambiente inflamatório agudo.
A fístula enteroatmosférica é uma complicação grave e desafiadora do abdome aberto, caracterizada pela comunicação entre o lúmen intestinal e a superfície cutânea, expondo o conteúdo intestinal ao ambiente. Fístulas de alto débito, como no caso apresentado, resultam em grande perda de fluidos, eletrólitos e nutrientes, levando rapidamente à desidratação, desequilíbrio eletrolítico e desnutrição grave, além de um alto risco de sepse. O manejo inicial é crucial e foca na estabilização do paciente. A estratégia global mais adequada nesta fase inicial e intermediária envolve o controle rigoroso da sepse, a proteção da pele perilesional com dispositivos adequados (como curativos a vácuo ou bolsas de ostomia adaptadas) para prevenir erosão e infecção, e a otimização nutricional. A nutrição parenteral total ou enteral distal é frequentemente necessária para garantir o aporte calórico-proteico adequado e promover a cicatrização. A reconstrução cirúrgica definitiva da parede abdominal e da fístula é postergada para uma fase tardia, geralmente após 6 a 12 meses, quando o processo inflamatório agudo diminuiu, o paciente está nutricionalmente otimizado e os tecidos estão mais favoráveis à cicatrização, minimizando os riscos de falha e complicações.
A prioridade é o controle da sepse, a proteção da pele perilesional e a otimização nutricional do paciente.
A reconstrução é adiada para uma fase tardia, após a estabilização clínica e nutricional, para reduzir os riscos de falha cirúrgica e complicações em um ambiente inflamatório.
As principais complicações incluem sepse, desnutrição grave, desequilíbrio hidroeletrolítico e erosão cutânea perilesional.
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