SUS-BA - Sistema Único de Saúde da Bahia — Prova 2015
Paciente, 29 anos de idade, vítima de acidente de motocicleta há 18 horas, estável hemodinamicamente, apresenta feridas lácero-contusas em face, perna direita e pé direito por atrito com o asfalto, sem fraturas ósseas. Ao se realizar a limpeza das feridas da perna e do pé constatam-se corpos estranhos e terra. O paciente não recorda detalhes sobre a sua profilaxia para tétano. Frente ao quadro, indique a conduta quanto à síntese das feridas em perna e pé.
Ferida suja/contaminada + >6h de evolução → Não realizar sutura primária (risco de infecção).
Feridas com corpos estranhos, terra e tempo de evolução prolongado (>6-8h) apresentam alto risco de infecção. A conduta envolve limpeza exaustiva, desbridamento e cicatrização por segunda intenção ou fechamento primário retardado.
O manejo de feridas traumáticas na emergência exige uma avaliação criteriosa do mecanismo de trauma, tempo de evolução e grau de contaminação. Feridas por atrito com asfalto frequentemente contêm detritos impregnados que agem como ninhos para infecção bacteriana. A limpeza mecânica vigorosa e a irrigação com solução salina são fundamentais. Em feridas consideradas 'sujas' ou com tempo de evolução prolongado, a síntese primária (sutura imediata) aumenta drasticamente o risco de abscesso e fascite. A profilaxia do tétano deve seguir o protocolo do Ministério da Saúde, considerando o tipo de ferida e o status vacinal do paciente. A decisão entre cicatrização por segunda intenção ou fechamento retardado depende da localização anatômica e da viabilidade tecidual após o desbridamento.
O fechamento primário retardado é indicado para feridas com alto grau de contaminação, presença de tecido desvitalizado ou tempo de evolução superior a 6-12 horas (exceto face). A ferida é limpa, desbridada e mantida aberta com curativos úmidos por 3 a 5 dias; se não houver sinais de infecção após esse período, a sutura é realizada.
Em feridas contaminadas (sujas, com terra, corpos estranhos ou tecidos desvitalizados) em pacientes com histórico vacinal incerto ou menos de 3 doses, deve-se administrar a vacina (dT) e a imunoglobulina antitetânica (IGHAT) ou soro antitetânico (SAT). Se o paciente tiver 3 ou mais doses, administra-se o reforço se a última dose foi há mais de 5 anos.
Presença de exsudato purulento, edema intenso, eritema perilesional expansivo, calor local e dor desproporcional são sinais de infecção ativa. Nessas condições, a ferida deve permanecer aberta para drenagem e tratamento sistêmico, se indicado.
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