PSU-MG - Processo Seletivo Unificado de Minas Gerais — Prova 2021
Lucas, 8 meses de idade, previamente saudável, apresenta, coriza cristalina, tosse leve e febre persistente há 36 horas, de até 38ºC. Seu estado geral é bom e a ausculta pulmonar apresenta roncos de transmissão. Orofaringe com leve hiperemia. Demais aparelhos sem alterações. Mãe muito preocupada com a febre que não cede mesmo com uso de dipirona, por receio de surgir convulsão febril. Em relação à abordagem da febre nesta criança, é CORRETO afirmar:
Febre em criança → Tratar desconforto, não apenas o número da temperatura; antipiréticos para T > 38°C E desconforto; não previnem convulsão febril.
A febre é um sintoma, não uma doença, e seu manejo em crianças deve focar no alívio do desconforto e não apenas na redução numérica da temperatura. Antipiréticos são indicados para crianças com temperatura acima de 38°C e que apresentem sinais de desconforto, e não previnem convulsões febris.
A febre é um dos sintomas mais comuns na infância e uma das principais causas de preocupação parental. Para residentes e profissionais de saúde, é fundamental ter uma abordagem clara e baseada em evidências para o manejo da febre em crianças. A febre é uma resposta fisiológica do corpo a infecções ou inflamações, e seu principal objetivo no tratamento não é apenas baixar a temperatura, mas sim aliviar o desconforto da criança. O uso de antipiréticos, como dipirona ou paracetamol, deve ser reservado para crianças que apresentem desconforto significativo (irritabilidade, mal-estar, dor) e/ou com temperatura axilar acima de 38ºC. Não se deve tratar a febre apenas pelo valor numérico da temperatura se a criança estiver bem e ativa. É um erro comum e uma preocupação frequente dos pais acreditar que a febre alta por si só é perigosa ou que causará convulsões febris. É importante educar os pais que antipiréticos não previnem convulsões febris, que são eventos benignos e autolimitados, desencadeados pela velocidade da elevação da temperatura, e não pelo seu pico. Além disso, a combinação ou intercalação de diferentes antipiréticos não é recomendada, pois não há evidências de maior eficácia e aumenta o risco de superdosagem e efeitos adversos. Meios físicos, como compressas frias ou banhos mornos, também não são eficazes para baixar a temperatura central e podem causar desconforto, sendo desaconselhados. O foco deve ser sempre no bem-estar geral da criança.
O objetivo principal do tratamento da febre em crianças é aliviar o desconforto associado, como irritabilidade, dor e mal-estar, e não apenas normalizar a temperatura corporal.
Não, estudos demonstram que o uso de antipiréticos não previne a ocorrência de convulsões febris em crianças predispostas, pois a convulsão é desencadeada pela velocidade da elevação da temperatura, e não pelo seu pico.
A combinação ou intercalação de antipiréticos não é recomendada rotineiramente, pois não há evidências de maior eficácia e aumenta o risco de erros de dosagem e efeitos adversos. O uso de um único agente na dose correta é preferível.
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