HPP - Hospital Infantil Pequeno Príncipe (PR) — Prova 2025
Com relação ao Manejo da Febre Aguda na Criança, assinale a alternativa correta:I. Não existe um valor “mágico”, teórico, fixado por consensos ou guias para administrar antitérmicosII. Não pode ser utilizada a intensidade da febre como indicador de infecção bacteriana grave, exceto em menores de 3 meses com leucocitose ou aumento da proteína C reativa.III. A administração profilática de medicamentos antipiréticos no momento da vacinação não deve ser recomendada de rotina
Febre é um sintoma: trate o desconforto da criança, não o número no termômetro. Antitérmico profilático em vacinas não é recomendado.
O manejo racional da febre em pediatria foca no bem-estar geral da criança, não na normalização da temperatura. A febre é uma resposta fisiológica a infecções e, isoladamente (exceto em neonatos), não é um bom preditor de gravidade. O uso de antitérmicos visa aliviar o desconforto.
O manejo da febre aguda na criança é uma das queixas mais comuns em pediatria e frequentemente cercado de ansiedade por parte dos cuidadores, um fenômeno conhecido como 'fobofobia'. As diretrizes atuais enfatizam que a febre não é uma doença, mas um mecanismo de defesa fisiológico do organismo. Portanto, o objetivo principal do tratamento não é eliminar a febre, mas sim melhorar o conforto e o bem-estar da criança. Não existe um valor de temperatura específico que obrigue o uso de antitérmicos. A decisão deve ser baseada na avaliação clínica geral da criança, como presença de irritabilidade, prostração ou dor. A intensidade da febre, por si só, não é um indicador confiável de infecção bacteriana grave em crianças com mais de 3 meses de idade; o estado geral e os sinais de toxemia são muito mais importantes. A exceção são os lactentes jovens (< 3 meses), nos quais qualquer febre exige investigação rigorosa. Outro ponto importante é a não recomendação do uso profilático de antitérmicos no momento da vacinação. Embora seja uma prática comum, estudos mostram que ela pode interferir na imunogenicidade de algumas vacinas. A conduta correta é orientar os pais a administrar o medicamento apenas se a criança desenvolver febre e apresentar desconforto após a imunização.
Sinais de alerta incluem prostração intensa, irritabilidade inconsolável, gemência, abaulamento de fontanela, petéquias ou púrpura, sinais de desconforto respiratório, cianose e recusa alimentar persistente, especialmente em lactentes jovens.
O uso profilático de antitérmicos não é recomendado pois a febre pós-vacinal é geralmente autolimitada e benigna. Além disso, alguns estudos sugerem que o uso de paracetamol ou ibuprofeno no momento da vacinação pode diminuir a resposta de anticorpos a certos antígenos vacinais.
Em lactentes com menos de 3 meses, especialmente nos primeiros 30 dias de vida, a febre é um sinal de alerta para infecção bacteriana grave, como sepse, meningite ou infecção do trato urinário. Nesses casos, a avaliação clínica e laboratorial completa e, muitas vezes, a internação para antibioticoterapia empírica são mandatórias.
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