UFMT Revalida - Universidade Federal de Mato Grosso — Prova 2023
Paciente do sexo masculino, 58 anos, tabagista (25 anos/maço), hipertenso há 15 anos, diabético tipo 2 há 5 anos e com diagnóstico recente de doença renal crônica. Faz uso diário de losartana 50mg, 2x ao dia, hidroclorotiazida 25mg pela manhã e metformina 500mg 2x ao dia. Faz uso regular, na sua dieta, de frutas e proteínas. O paciente questiona a necessidade de exames complementares. Para esse caso, assinale a conduta correta
DRC + DM2: Metformina substituída por risco de acidose láctica; Estatina essencial para proteção CV.
Em pacientes com Doença Renal Crônica (DRC) e Diabetes Mellitus tipo 2, a metformina deve ser substituída ou ter sua dose ajustada devido ao risco de acidose láctica. Além disso, a inclusão de estatina é crucial para a prevenção de eventos cardiovasculares, uma complicação comum e grave na DRC.
O manejo de pacientes com Doença Renal Crônica (DRC), hipertensão arterial e Diabetes Mellitus tipo 2 é complexo e exige uma abordagem multifacetada. A DRC é uma condição progressiva que afeta a função renal e está intimamente ligada a comorbidades como HAS e DM2, que são, inclusive, as principais causas da DRC. O controle rigoroso dessas condições é crucial para retardar a progressão da doença renal e prevenir complicações cardiovasculares. No contexto farmacológico, a metformina, um hipoglicemiante oral de primeira linha para DM2, deve ser utilizada com cautela em pacientes com DRC. Sua excreção renal significa que, com a diminuição da função renal, há risco de acúmulo e acidose láctica. Geralmente, é contraindicada com TFG < 30 mL/min/1,73m² e deve ser ajustada ou substituída quando a TFG está entre 30-45 mL/min/1,73m². A glicazida, uma sulfonilureia, pode ser uma alternativa, embora também exija monitoramento. A inclusão de estatina é vital para a prevenção cardiovascular, dado o alto risco nesses pacientes. A losartana e a hidroclorotiazida são anti-hipertensivos que podem ser usados, mas a losartana (um BRA) requer monitoramento do potássio e da função renal. Além da farmacoterapia, a dieta desempenha um papel importante. A restrição de sódio, potássio e fósforo é frequentemente necessária em estágios mais avançados da DRC. Exames complementares como potássio, fósforo, cálcio e vitamina D são essenciais para monitorar as alterações metabólicas associadas à DRC. Esclarecer a relação entre as doenças e a importância do manejo integrado é fundamental para a adesão do paciente e o melhor prognóstico.
A metformina é excretada pelos rins e, em pacientes com DRC, sua acumulação pode levar à acidose láctica, uma complicação grave e potencialmente fatal. A dose deve ser ajustada conforme a taxa de filtração glomerular, ou o medicamento substituído por outro hipoglicemiante mais seguro em estágios avançados da DRC.
Pacientes com DRC e DM2 têm um risco cardiovascular significativamente elevado. A estatina é fundamental para a prevenção primária e secundária de eventos cardiovasculares, como infarto agudo do miocárdio e acidente vascular cerebral, sendo uma terapia padrão para esses pacientes.
Exames essenciais incluem creatinina sérica e taxa de filtração glomerular estimada para monitorar a função renal, eletrólitos (especialmente potássio), fósforo, cálcio, paratormônio e vitamina D para avaliar as alterações do metabolismo ósseo e mineral, e albuminúria para monitorar a progressão da doença.
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