Exacerbação de DPOC: Manejo com Antibióticos e Corticoides

SES-PE - Secretaria de Estado de Saúde de Pernambuco — Prova 2025

Enunciado

Um homem de 68 anos, com histórico de DPOC classificada como GOLD 3 e carga tabágica de 40 maços-ano, busca atendimento médico devido ao aumento de sua dispneia nos últimos três dias. Ele relata tosse produtiva com expectoração amarelada e febre baixa (37,8°C), além de fadiga. O paciente informa uso regular de broncodilatadores de longa duração, porém os sintomas não melhoraram com a utilização de broncodilatadores de curta duração. Exames complementares: Gases Arteriais: pH 7,35; PaCO2 48 mmHg (normal, referência: 35–45 mmHg); PaO2 58 mmHg (referência: 75–100 mmHg). Hemograma: 12.000/mm³ (referência:4.000–10.000/mm³), radiografia de tórax: hiperinsuflação pulmonar, sem consolidações ou sinais de pneumonia.Dado o quadro clínico e os achados laboratoriais, qual é o manejo inicial mais apropriado para esse paciente?

Alternativas

  1. A) Manter apenas oxigenoterapia e liberar o paciente para o domicílio.
  2. B) Aumentar a dose de broncodilatadores inalatórios de curta duração e observar a evolução.
  3. C) Iniciar antibiótico para tratar possível infecção e corticosteroides sistêmicos.
  4. D) Iniciar ventilação não invasiva imediatamente.
  5. E) Encaminhar para internação e observar sem intervenção medicamentosa.

Pérola Clínica

Exacerbação de DPOC com 3 critérios de Anthonisen (dispneia, volume e purulência do escarro) → iniciar antibióticos e corticoides sistêmicos.

Resumo-Chave

Este paciente apresenta uma exacerbação de DPOC moderada a grave, classificada como Anthonisen tipo I (piora da dispneia, aumento do volume e da purulência do escarro). A presença de escarro purulento e leucocitose indica fortemente uma infecção bacteriana, tornando mandatório o uso de antibióticos junto aos corticoides sistêmicos para controlar a inflamação.

Contexto Educacional

A exacerbação aguda da Doença Pulmonar Obstrutiva Crônica (DPOC) é um evento agudo caracterizado pela piora dos sintomas respiratórios do paciente, além da variação diária normal, e que leva a uma mudança na medicação. É uma causa importante de morbidade, mortalidade e hospitalizações. A principal causa é a infecção do trato respiratório, sendo as bactérias os agentes mais comuns em exacerbações moderadas a graves. O diagnóstico é clínico, e a gravidade é avaliada com base nos sinais vitais, no trabalho respiratório e na gasometria arterial. Os critérios de Anthonisen ajudam a guiar a antibioticoterapia: Tipo I (presença dos 3 critérios: piora da dispneia, aumento do volume do escarro, aumento da purulência do escarro), Tipo II (presença de 2 critérios) e Tipo III (presença de 1 critério). A indicação de antibióticos é forte nos tipos I e II (com purulência). O manejo da exacerbação moderada a grave se baseia em três pilares: broncodilatadores de curta ação (beta-2 agonistas e anticolinérgicos), corticosteroides sistêmicos (ex: prednisona 40mg/dia por 5 dias) e antibióticos, se indicado. A oxigenoterapia é usada para manter a SpO2 entre 88-92%, e a ventilação não invasiva (VNI) deve ser considerada na presença de acidose respiratória.

Perguntas Frequentes

Quais são os sinais de uma exacerbação de DPOC que indicam infecção bacteriana?

Os principais sinais são os três critérios cardinais de Anthonisen: aumento da dispneia, aumento do volume do escarro e, crucialmente, a purulência do escarro (coloração amarelada/esverdeada). A presença dos três (Tipo I) ou de dois, incluindo purulência (Tipo II), sugere fortemente infecção bacteriana.

Por que se usa corticoide sistêmico na exacerbação de DPOC?

Corticoides sistêmicos, como prednisona oral, reduzem a inflamação das vias aéreas. Isso acelera a recuperação da função pulmonar (VEF1), melhora a oxigenação, diminui o tempo de internação e reduz o risco de falha terapêutica e recidiva precoce.

Quando a ventilação não invasiva (VNI) é indicada na exacerbação de DPOC?

A VNI é indicada em pacientes com insuficiência respiratória aguda, caracterizada por acidose respiratória (pH < 7,35 e PaCO2 > 45 mmHg), associada a dispneia grave com uso de musculatura acessória ou respiração paradoxal. Neste caso, o pH do paciente ainda estava compensado (7,35).

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