Esôfago de Barrett: Manejo da DRGE Refratária e Vigilância

PUC-PR Saúde - Pontifícia Universidade Católica do Paraná — Prova 2024

Enunciado

Homem negro de 48 anos possui queixas crônicas de pirose, regurgitação alimentar e tosse seca. Os sintomas pioram após comer mortadela e frituras ou se tomar café. Nega perda de peso, disfagia e não possui anemia em exames recentes. Não há histórico familiar de neoplasias. O paciente iniciou por conta própria Pantoprazol 40mg uma vez ao dia e após 3 meses de uso não percebeu melhora significativa dos sintomas. Procurou atendimento médico e realizou endoscopia digestiva alta. Esse exame mostrou em esôfago distal mucosa de coloração salmão, digitiforme, sem irregularidades, com cerca de 2,8cm, a qual ocupava 30% da circunferência e esofagite erosiva grau C de Los Angeles no restante da mucosa. Foi coletado 1 fragmento de biópsia esofágica da mucosa de coloração salmão, a qual mostrou a presença de metaplasia intestinal, com coloração alcian blue positiva e ausência de displasia. Frente a esse quadro, é CORRETO afirmar:I. Deve-se iniciar Vonoprazana 20mg, uma vez ao dia devido a sua superioridade frente ao Pantoprazol 40mg no tratamento de pacientes com esôfago de Barrett.II. Este paciente deve ser encaminhado para mucosectomia endoscópica devido à presença de coloração alcian blue positiva.III. Deve-se aumentar a dose de Pantoprazol para 40mg duas vezes ao dia.IV. Deve-se tratar a esofagite erosiva antes de se considerar repetir a endoscopia digestiva alta com biópsias seriadas do esôfago.

Alternativas

  1. A) Apenas I e IV estão corretas.
  2. B) Apenas a II está correta.
  3. C) Apenas III e IV estão corretas.
  4. D) Apenas I e II estão corretas.
  5. E) Apenas a III está correta

Pérola Clínica

Esôfago de Barrett sem displasia + DRGE refratária → IBP 2x/dia e tratar esofagite antes de reavaliar.

Resumo-Chave

Em pacientes com Esôfago de Barrett e sintomas de DRGE refratária ou esofagite erosiva, a dose de IBP deve ser otimizada para duas vezes ao dia. É crucial controlar a inflamação da esofagite antes de realizar novas biópsias para uma avaliação precisa da metaplasia e displasia.

Contexto Educacional

O Esôfago de Barrett é uma complicação da doença do refluxo gastroesofágico (DRGE) crônica, caracterizada pela substituição do epitélio escamoso estratificado do esôfago distal por epitélio colunar com metaplasia intestinal. Sua importância clínica reside no risco aumentado de desenvolver adenocarcinoma de esôfago, sendo crucial para residentes compreenderem seu manejo e vigilância. O diagnóstico é feito por endoscopia digestiva alta com biópsias, que revelam a metaplasia intestinal. Pacientes com DRGE refratária, como o caso descrito, necessitam de otimização do tratamento com IBP, geralmente para duas vezes ao dia, para controlar os sintomas e a inflamação. A esofagite erosiva deve ser tratada antes de reavaliar o Barrett, pois a inflamação pode mascarar ou dificultar a detecção de displasia. O tratamento do Esôfago de Barrett sem displasia consiste na supressão ácida eficaz e vigilância endoscópica periódica. A mucosectomia ou ablação endoscópica são reservadas para casos com displasia de alto grau ou adenocarcinoma. A compreensão dessas diretrizes é fundamental para a prática clínica e para a aprovação em provas de residência.

Perguntas Frequentes

Quais são os sinais de alerta para o Esôfago de Barrett?

Os sinais de alerta para o Esôfago de Barrett incluem sintomas crônicos de DRGE (pirose, regurgitação), especialmente se refratários ao tratamento padrão, e a presença de metaplasia intestinal na biópsia esofágica.

Qual a conduta inicial para Esôfago de Barrett sem displasia e DRGE refratária?

A conduta inicial envolve a otimização da terapia com inibidores de bomba de prótons (IBP) para duas vezes ao dia. É fundamental tratar a esofagite erosiva antes de considerar novas biópsias para uma avaliação mais precisa da mucosa de Barrett.

Quando a mucosectomia endoscópica é indicada no Esôfago de Barrett?

A mucosectomia endoscópica é indicada para pacientes com Esôfago de Barrett que apresentam displasia de alto grau ou adenocarcinoma precoce. A presença de metaplasia intestinal sem displasia requer apenas vigilância endoscópica regular.

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