Encefalopatia Hepática: Conduta Inicial e Fatores Precipitantes

PMF - Prefeitura Municipal de Franca (SP) — Prova 2020

Enunciado

Homem de 62 anos foi admitido no setor de emergência com desorientação. Havia relato de aumento do volume abdominal nos últimos seis meses e uso de diurético de modo não controlado; história de ingestão de 5 a 10 doses de aguardente diárias há mais de dez anos. No exame físico os sinais vitais eram satisfatórios; havia palidez cutânea-mucosa; encontrava-se confuso e desorientado, com presença de eritema palmar, flapping e telangiectasias na região torácica anterior. Presença de ascite e edema de membros inferiores dificultando a palpação das vísceras abdominais. Antes que os exames complementares ficassem prontos, instituiu-se a seguinte conduta terapêutica:

Alternativas

  1. A) administração de lactulose e antibiótico de largo espectro parenterais;
  2. B) suspensão do diurético e administração de lactulose por via oral;
  3. C) neomicina por via oral e furosemida em altas doses;
  4. D) suporte nutricional hiperprotéico e aminoglicosídeo por via oral.

Pérola Clínica

Encefalopatia hepática: suspender diuréticos (se fator precipitante) e iniciar lactulose oral para reduzir amônia.

Resumo-Chave

Em um paciente com sinais de cirrose descompensada e encefalopatia hepática (confusão, flapping tremor), o manejo inicial foca na identificação e correção de fatores precipitantes, como o uso descontrolado de diuréticos, e na redução dos níveis de amônia. A suspensão do diurético e a administração de lactulose por via oral são medidas terapêuticas cruciais e de rápida implementação.

Contexto Educacional

A encefalopatia hepática é uma complicação neuropsiquiátrica da insuficiência hepática aguda ou crônica, caracterizada por um espectro de alterações mentais e neuromusculares. É uma manifestação comum da cirrose hepática descompensada, frequentemente precipitada por fatores externos. A epidemiologia mostra que a encefalopatia hepática é uma das principais causas de internação e morbimortalidade em pacientes com doença hepática avançada. A importância clínica reside na necessidade de um diagnóstico precoce e manejo adequado para melhorar o prognóstico e a qualidade de vida dos pacientes. A fisiopatologia da encefalopatia hepática é complexa, mas o acúmulo de amônia no sangue devido à falha do fígado em metabolizá-la é o principal mecanismo neurotóxico. A amônia atravessa a barreira hematoencefálica e afeta a função cerebral. O diagnóstico é clínico, baseado na presença de sinais de doença hepática crônica (como eritema palmar, telangiectasias, ascite, edema) e alterações neurológicas (confusão, desorientação, flapping tremor). É crucial identificar e corrigir fatores precipitantes, como sangramento gastrointestinal, infecções, desidratação, distúrbios eletrolíticos (ex: hipocalemia induzida por diuréticos) e uso de sedativos. O tratamento da encefalopatia hepática visa reduzir a produção e absorção de amônia e tratar os fatores precipitantes. A lactulose é a terapia de primeira linha, atuando como laxativo osmótico e acidificante do cólon para converter amônia em amônio, que é excretado. Antibióticos como a rifaximina podem ser usados como terapia adjuvante. A suspensão de diuréticos, se estiverem causando desidratação ou desequilíbrio eletrolítico, é uma conduta inicial importante. O prognóstico depende da gravidade da doença hepática subjacente e da resposta ao tratamento. Pontos de atenção incluem o monitoramento do estado mental, eletrólitos e função renal, além da educação do paciente e familiares sobre a doença e seus gatilhos.

Perguntas Frequentes

Quais são os sinais clínicos que sugerem encefalopatia hepática em um paciente com cirrose?

Os sinais clínicos incluem alterações do estado mental, como desorientação, confusão, sonolência ou agitação. O flapping tremor (asterixis) é um achado clássico. Outros sinais de doença hepática crônica, como eritema palmar, telangiectasias, icterícia, ascite e edema de membros inferiores, também são frequentemente presentes.

Qual o mecanismo de ação da lactulose no tratamento da encefalopatia hepática?

A lactulose é um dissacarídeo sintético que não é absorvido no intestino delgado. No cólon, é metabolizada por bactérias em ácidos orgânicos, que acidificam o lúmen intestinal. Isso converte a amônia (NH3) em íon amônio (NH4+), que não é absorvível e é excretado nas fezes, reduzindo assim os níveis sistêmicos de amônia, principal neurotoxina na encefalopatia hepática.

Quais fatores podem precipitar ou agravar a encefalopatia hepática em pacientes cirróticos?

Diversos fatores podem precipitar a encefalopatia hepática, incluindo sangramento gastrointestinal, infecções (especialmente peritonite bacteriana espontânea), desidratação, distúrbios eletrolíticos (hipocalemia), constipação, uso de sedativos/hipnóticos e dietas hiperproteicas. O uso descontrolado de diuréticos pode levar à desidratação e hipocalemia, sendo um fator precipitante comum.

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