SEMUSA (SMS) Macaé — Prova 2025
Um paciente que foi internado por bloqueio atrioventricular grau 3 apresenta hipercalemia secundária ao uso crónico de espironolactona, losartan e atenolol. A medida imediata a ser adotada é:
Hipercalemia + BAVT → Gluconato de cálcio IV para estabilizar miocárdio.
Em pacientes com hipercalemia grave e alterações eletrocardiográficas, como o bloqueio atrioventricular grau 3, a medida imediata e prioritária é a administração de gluconato de cálcio intravenoso. Este atua rapidamente estabilizando a membrana miocárdica, protegendo o coração dos efeitos deletérios do potássio elevado, sem necessariamente reduzir os níveis séricos de potássio.
A hipercalemia é uma emergência eletrolítica que pode levar a arritmias cardíacas fatais, como o bloqueio atrioventricular de terceiro grau (BAV3). É frequentemente causada por medicamentos que afetam o metabolismo do potássio, como inibidores da enzima conversora de angiotensina (IECA) ou bloqueadores do receptor de angiotensina (BRA), diuréticos poupadores de potássio (ex: espironolactona) e betabloqueadores em pacientes com insuficiência renal ou outras comorbidades. A identificação rápida e o manejo adequado são cruciais. A fisiopatologia da hipercalemia envolve a despolarização parcial das membranas celulares, tornando-as menos excitáveis e afetando a condução elétrica cardíaca. As alterações eletrocardiográficas progridem de ondas T apiculadas para prolongamento do intervalo PR, alargamento do QRS e, em casos graves, bradiarritmias e assistolia. O diagnóstico é clínico (sintomas inespecíficos como fraqueza) e laboratorial, confirmado por níveis séricos de potássio > 5,5 mEq/L, com atenção especial ao ECG. O tratamento da hipercalemia grave com cardiotoxicidade prioriza a estabilização da membrana miocárdica com gluconato de cálcio intravenoso, que age em minutos. Em seguida, medidas para desviar o potássio para o intracelular (glicose com insulina, beta-agonistas) e para eliminá-lo do corpo (diuréticos de alça, resinas de troca iônica, diálise) devem ser iniciadas. A suspensão dos medicamentos causadores é importante, mas não a primeira medida em caso de emergência cardíaca. A monitorização contínua do ECG é essencial.
O gluconato de cálcio não reduz os níveis de potássio sérico, mas atua antagonizando os efeitos do potássio na membrana celular cardíaca. Ele aumenta o limiar de excitabilidade, protegendo o coração contra arritmias e bloqueios, como o BAV3.
Inibidores da ECA (como losartan, um BRA) e antagonistas da aldosterona (espironolactona) são causas comuns. Os IECA/BRA reduzem a secreção de aldosterona, e a espironolactona bloqueia seus receptores, ambos levando à retenção de potássio.
A instalação de marcapasso é uma medida de suporte temporário para bradiarritmias graves. Na hipercalemia, ela deve ser considerada se as medidas farmacológicas para estabilizar a membrana e reduzir o potássio não forem eficazes ou se houver instabilidade hemodinâmica refratária.
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