Pancreatite Crônica: Manejo da Dor e Dieta Inicial

Famema/HCFMM - Faculdade de Medicina de Marília (SP) — Prova 2020

Enunciado

Homem de 57 anos de idade apresenta dor epigástrica quase que constante, de intensidade leve a moderada, com irradiação para as costas, que piora após ingerir alimentos gordurosos, iniciada há 10 meses, após o diagnóstico de pancreatite crônica. Todavia, a dor tem piorado, progressivamente, nos últimos 3 meses. Evacua a cada 2 dias e seu peso permaneceu estável. Nega ingestão de álcool ou tabagismo. O paciente tem histórico de abuso de opioide. Exame físico: sinais vitais normais; abdome: moderada dor à palpação no epigástrio. Endoscopia digestiva alta normal. Tomografia mostra calcificações em todo o pâncreas, ducto pancreático dilatado, sem lesões císticas ou massas.O tratamento inicial mais adequado é:

Alternativas

  1. A) bloqueio do plexo celíaco.
  2. B) dieta com baixo teor de gordura e anti-inflamatório não hormonal.
  3. C) paracetamol e tramadol.
  4. D) reposição oral de enzimas pancreáticas.

Pérola Clínica

Dor em pancreatite crônica → dieta hipolipídica + AINEs como tratamento inicial.

Resumo-Chave

A dor na pancreatite crônica, especialmente quando associada a alimentos gordurosos, é frequentemente manejada inicialmente com medidas conservadoras. A dieta com baixo teor de gordura reduz a estimulação pancreática, e os anti-inflamatórios não hormonais ajudam no controle da dor antes de considerar intervenções mais invasivas ou opioides, especialmente em pacientes com histórico de abuso.

Contexto Educacional

A pancreatite crônica é uma condição inflamatória progressiva do pâncreas, caracterizada por destruição irreversível do parênquima, fibrose e perda das funções exócrina e endócrina. A dor abdominal é o sintoma mais comum e desafiador, afetando significativamente a qualidade de vida dos pacientes. O diagnóstico é baseado em achados clínicos, laboratoriais e de imagem, como calcificações pancreáticas e dilatação do ducto pancreático na tomografia. A fisiopatologia da dor na pancreatite crônica é multifatorial, envolvendo inflamação, isquemia, neuropatia e obstrução ductal. O tratamento inicial visa aliviar a dor e manejar a insuficiência pancreática. A dieta com baixo teor de gordura é fundamental para reduzir a estimulação pancreática e a dor pós-prandial. Anti-inflamatórios não hormonais (AINEs) são frequentemente a primeira linha de tratamento farmacológico para a dor leve a moderada, antes de considerar opioides ou intervenções mais invasivas. O prognóstico da pancreatite crônica varia, mas a doença é progressiva. O manejo da dor é um pilar do tratamento, e a abordagem deve ser escalonada, começando com medidas conservadoras. A reposição de enzimas pancreáticas é indicada para esteatorreia e má absorção, enquanto o bloqueio do plexo celíaco e a cirurgia são reservados para casos refratários. É crucial monitorar o uso de opioides devido ao risco de dependência, especialmente em pacientes com histórico de abuso.

Perguntas Frequentes

Quais são os sinais e sintomas da pancreatite crônica?

A pancreatite crônica manifesta-se principalmente por dor abdominal epigástrica crônica, que pode irradiar para as costas e piorar após as refeições. Outros sintomas incluem esteatorreia, perda de peso e diabetes mellitus devido à insuficiência pancreática exócrina e endócrina.

Qual a importância da dieta com baixo teor de gordura na pancreatite crônica?

A dieta com baixo teor de gordura é crucial porque a ingestão de gordura estimula a secreção de enzimas pancreáticas, o que pode exacerbar a dor e a inflamação em um pâncreas já comprometido. Reduzir a gordura diminui a carga de trabalho do pâncreas e alivia os sintomas.

Quando considerar o bloqueio do plexo celíaco para dor na pancreatite crônica?

O bloqueio do plexo celíaco é uma opção para pacientes com dor refratária à terapia medicamentosa e dietética otimizada. Geralmente é reservado para casos de dor intensa e incapacitante que não respondem às abordagens conservadoras.

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