Manejo da Dor Oncológica: Abordagem em Nódulo Mamário

PMSO - Prefeitura Municipal de Sorocaba (SP) — Prova 2020

Enunciado

Paciente do sexo feminino, de 61 anos, procura a UBS com queixa dor de moderada intensidade (5 em 10 segundo a Escala visual Analógica de Dor) em região torácica à direita que irradia para membro superior. Refere uso prévio de anticoncepcional oral durante 20 anos (cessou há 08 anos) e cessou tabagismo há cerca de 13 anos (fumou 2,5 maços/dia durante 10 anos). Nega histórico de HAS, DM, etilismo ou câncer na família. Ao exame físico, sinais vitais estáveis, mostrando: nódulo mamário palpável de 3,0 cm em quadrante médio lateral direito; linfonodo axilar ipsilateral aderido de aproximadamente 2,0 cm de diâmetro. Considerando que você esteja em unidade de saúde com recursos necessários para medicação e orientação da paciente, qual seria a melhor estratégia inicial?

Alternativas

  1. A) Administração exclusiva de analgésicos simples (dipirona, paracetamol ou ibuprofeno).
  2. B) Administração de analgésico simples (dipirona, paracetamol ou ibuprofeno combinado com opioide fraco (tramadol ou codeína - podendo ser associado sintomáticos (antieméticos e/ou laxantes e, se pertinente, coadjuvantes (coanalgésicos como anticonvulsivantes e/ou antidepressivos tricíclicos.
  3. C) Administração de analgésico simples (dipirona, paracetamol ou ibuprofeno combinado com opioide fraco (tramadol alternado com codeína - podendo ser associado sintomáticos (antieméticos e/ou laxantes e, se pertinente, coadjuvantes (coanalgésicos como anticonvulsivantes e/ou antidepressivos tricíclicos.
  4. D) Administração de analgésico simples (dipirona, paracetamol ou ibuprofeno combinado com opioide forte (morfina, metadona ou oxicodona - podendo ser associado sintomáticos (antieméticos e/ou laxantes e, se pertinente, coadjuvantes (coanalgésicos como anticonvulsivantes e/ou antidepressivos tricíclicos.
  5. E) Administração exclusiva de anti-inflamatório não hormonal (cetoprofeno ou diclofenaco).

Pérola Clínica

Dor oncológica moderada (EVA 4-6) → Analgésico simples + opioide fraco (tramadol/codeína) + coadjuvantes.

Resumo-Chave

A paciente apresenta sinais sugestivos de câncer de mama avançado (nódulo mamário palpável, linfonodo axilar aderido, dor com irradiação). A dor moderada (5/10) em contexto oncológico exige uma abordagem multimodal, combinando analgésicos simples com opioides fracos, conforme a escada analgésica da OMS, e a inclusão de coadjuvantes para dor neuropática ou crônica.

Contexto Educacional

A dor é um sintoma prevalente e debilitante em pacientes com câncer, especialmente em estágios avançados. O manejo eficaz da dor oncológica é um pilar fundamental dos cuidados paliativos e da qualidade de vida do paciente. A avaliação da dor deve ser sistemática, utilizando escalas como a Escala Visual Analógica (EVA), que permite quantificar a intensidade da dor e guiar a escolha terapêutica. A Organização Mundial da Saúde (OMS) propõe uma escada analgésica de três degraus para o manejo da dor oncológica. Para dor leve (EVA 1-3), são indicados analgésicos não opioides (paracetamol, AINEs). Para dor moderada (EVA 4-6), como no caso da paciente, a conduta ideal é combinar analgésicos não opioides com opioides fracos (ex: tramadol, codeína). Para dor intensa (EVA 7-10), são utilizados opioides potentes (ex: morfina, oxicodona). Além dos analgésicos, é crucial considerar o uso de coanalgésicos, que são medicamentos que atuam em mecanismos específicos da dor, como a dor neuropática (anticonvulsivantes como gabapentina ou pregabalina, e antidepressivos tricíclicos como amitriptilina) ou a dor óssea. O manejo da dor oncológica deve ser individualizado, multimodal e proativo, visando não apenas o alívio da dor, mas também a prevenção de efeitos adversos e a melhoria funcional do paciente. A presença de um nódulo mamário palpável com linfonodo axilar aderido e dor irradiada sugere um quadro oncológico avançado, reforçando a necessidade de um controle álgico adequado e investigação diagnóstica.

Perguntas Frequentes

Qual a importância da Escala Visual Analógica (EVA) na avaliação da dor oncológica?

A EVA é crucial para quantificar a intensidade da dor, permitindo uma avaliação objetiva e o ajuste adequado da terapia analgésica. Uma pontuação de 5/10 indica dor moderada, que requer uma abordagem mais robusta do que apenas analgésicos simples.

Quando se deve considerar o uso de opioides fracos no manejo da dor oncológica?

Opioides fracos como tramadol ou codeína são indicados para dor moderada (degrau 2 da escada analgésica da OMS) que não é controlada apenas com analgésicos simples. Eles podem ser combinados com analgésicos não opioides para potencializar o efeito.

Quais são os coanalgésicos e quando são indicados na dor oncológica?

Coanalgésicos são medicamentos que não são primariamente analgésicos, mas que potencializam o efeito ou tratam componentes específicos da dor, como dor neuropática (anticonvulsivantes, antidepressivos tricíclicos) ou dor óssea (bifosfonatos). São essenciais para um controle multimodal da dor complexa.

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