Dor Oncológica Intratável: Manejo da Morfina e Titulação

SES-PB - Secretaria de Estado de Saúde da Paraíba — Prova 2023

Enunciado

Paciente de 70 anos com câncer de pâncreas metastático que não responde a quimioterapia é admitido por dor abdominal intratável. A dor era previamente tratada com 15 mg de morfina a cada 3 horas, porém, nas últimas duas semanas a dor vem aumentando e se tornando insuportável, acordando o paciente várias vezes ao longo da noite. No pronto-socorro, recebeu 4 mg de morfina intravenosa com alívio imediato, porém a dor retornou rapidamente. O exame físico apresenta ainda fácies de dor e sem sinais de peritonite ao exame abdominal. Qual a conduta MAIS APROPRIADA para o caso?

Alternativas

  1. A) Continuar morfina 15 mg via oral a cada 3 horas e adicionar morfina intravenosa de 4 mg a cada 2 horas se precisar.
  2. B) Iniciar o controle da analgesia com uma dose intravenosa de 120 mg, dividida nas 24 horas, adicionalmente, fazer uma dose de resgate controlado pelo paciente equivalente a 15 mg da morfina oral a cada 15 minutos.
  3. C) Associar a dose oral de morfina do paciente com pregabalina e dipirona.
  4. D) Solicitar tomografia de abdome.
  5. E) Solicitar lipase e amilase sérica

Pérola Clínica

Dor oncológica refratária → reavaliar dose basal opioide + otimizar resgates, considerando via e frequência.

Resumo-Chave

Em pacientes com dor oncológica refratária e uso de opioides, o aumento da frequência e/ou dose da medicação de resgate, além da reavaliação da dose basal, é crucial. A via intravenosa oferece alívio mais rápido para dor aguda, mas a duração é menor.

Contexto Educacional

O manejo da dor oncológica é um pilar fundamental nos cuidados paliativos, visando melhorar a qualidade de vida de pacientes com câncer avançado. A dor é um sintoma prevalente e muitas vezes subtratado, impactando significativamente o bem-estar físico e emocional. A abordagem deve ser individualizada, considerando a etiologia da dor, a intensidade e as características do paciente. A titulação de opioides, como a morfina, é essencial para o controle eficaz da dor. Inicia-se com uma dose basal e doses de resgate para dor irruptiva. Quando a dor se torna intratável, com necessidade frequente de resgates, é um indicativo de que a dose basal é insuficiente e precisa ser ajustada. A relação entre a dose oral e intravenosa da morfina é de aproximadamente 3:1, o que é crucial para as conversões. A conduta adequada envolve a reavaliação contínua da dor, o ajuste da dose basal do opioide e a otimização das doses de resgate. Além dos opioides, terapias adjuvantes (como AINEs, antidepressivos, anticonvulsivantes) e intervenções não farmacológicas podem ser incorporadas. O objetivo é alcançar um controle da dor que permita ao paciente manter suas atividades e ter uma boa qualidade de vida.

Perguntas Frequentes

Quais são os sinais de dor oncológica mal controlada?

Sinais incluem aumento da intensidade da dor, necessidade frequente de doses de resgate, dor que interfere no sono ou atividades diárias, e fácies de dor persistente.

Como ajustar a dose de morfina em dor oncológica refratária?

A dose basal deve ser ajustada com base na quantidade de opioide utilizada para resgate nas últimas 24 horas, aumentando a dose de manutenção em 30-50% e reavaliando o esquema de resgate.

Qual o papel da morfina intravenosa no manejo da dor oncológica?

A morfina intravenosa é utilizada para alívio rápido da dor aguda ou irruptiva, especialmente em situações de emergência ou quando a via oral não é eficaz ou possível, devido ao seu rápido início de ação.

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