Dor Oncológica Intensa: Manejo com Morfina em Cuidados Paliativos

INEP Revalida - Exame Nacional de Revalidação de Diplomas Médicos — Prova 2020

Enunciado

A equipe de Saúde da Família recebeu uma solicitação de visita domiciliar para um paciente com 74 anos de idade, que obteve alta hospitalar no dia anterior. A esposa e cuidadora do paciente mostrou a contrarreferência do hospital, informando que o paciente esteve internado por câncer de próstata avançado com metástases ósseas e que recebeu alta com cuidados paliativos. Ademais, o paciente é hipertenso, diabético, acamado há 1 ano, em uso de sonda nasoenteral devido a um acidente vascular encefálico e sem perspectiva de tratamento curativo. A esposa estava bastante angustiada e não entendia como o marido tinha recebido alta naquelas condições, pois gemia e, à noite, gritava de dor, mesmo em uso de paracetamol e codeína (500 mg + 30 mg), que foram mantidos na alta hospitalar. Qual é a conduta médica correta para esse paciente?

Alternativas

  1. A) Iniciar morfina solução oral 10 mg/mL, 10 gotas, de 4 em 4 horas para controle de dor intensa em cuidados paliativos.
  2. B) Manter paracetamol, codeína e adicionar anti-inflamatório não esteroidal para otimizar tratamento da dor.
  3. C) Iniciar tramadol em solução oral 100 mg/mL, 20 gotas, de 12 em 12 horas, para controle de dor intensa.
  4. D) Encaminhar para reinternação hospitalar para controle da dor com morfina endovenosa.

Pérola Clínica

Dor oncológica refratária a opioides fracos → iniciar opioide forte (morfina) em dose adequada.

Resumo-Chave

Em pacientes com dor oncológica intensa e sem resposta a opioides fracos (como codeína), a introdução de um opioide forte como a morfina é a conduta correta e prioritária em cuidados paliativos, visando o alívio do sofrimento. A dose deve ser titulada conforme a resposta clínica.

Contexto Educacional

O manejo da dor é um pilar fundamental dos cuidados paliativos, especialmente em pacientes com câncer avançado e metástases ósseas, onde a dor pode ser excruciante. A dor oncológica é complexa, podendo ser nociceptiva, neuropática ou mista, e requer uma abordagem farmacológica escalonada conforme a intensidade, seguindo a escada analgésica da OMS. Quando opioides fracos, como a codeína, não são suficientes para controlar a dor intensa, a transição para um opioide forte é imperativa. A morfina oral é a droga de escolha devido à sua eficácia, boa absorção e facilidade de titulação, permitindo um alívio rápido e sustentado. É crucial iniciar com doses baixas e aumentar gradualmente até o controle da dor, monitorando os efeitos adversos. O prognóstico de pacientes em cuidados paliativos foca na qualidade de vida e no alívio do sofrimento, e o controle da dor é essencial para atingir esses objetivos.

Perguntas Frequentes

Quais são os princípios da escada analgésica da OMS para dor oncológica?

A escada analgésica da OMS propõe um tratamento escalonado: não opioides para dor leve, opioides fracos para dor moderada e opioides fortes para dor intensa, sempre com adjuvantes, visando o controle da dor com a menor dose eficaz.

Por que a morfina é a escolha inicial para dor oncológica intensa?

A morfina é um opioide forte eficaz para dor moderada a intensa, com boa biodisponibilidade oral e possibilidade de titulação, sendo a primeira escolha em cuidados paliativos para dor oncológica devido à sua potência e versatilidade.

Quais são os efeitos adversos comuns da morfina e como manejá-los?

Os efeitos adversos incluem constipação (prevenir com laxantes), náuseas/vômitos (antieméticos) e sedação (monitorar e ajustar dose). A prevenção e o manejo proativo desses efeitos são cruciais para a adesão ao tratamento.

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