Manejo Paliativo: Dor, Náuseas e Suporte Espiritual

UFCSPA - Universidade Federal de Ciências da Saúde de Porto Alegre (RS) — Prova 2022

Enunciado

Considerando-se o caso clínico descrito, assinalar a alternativa que preenche as lacunas abaixo CORRETAMENTE: Homem, 92 anos, com quadro de câncer colorretal avançado com metástases hepáticas e cerebrais, com ascite, astenia e sarcopenia severas, referindo, na visita domiciliar atual, náuseas, vômitos e soluços refratários à metoclopramida e dor abdominal muito forte, de intensidade oito, já em uso de dipirona gotas. Católico praticante por toda a vida, ele diz que gostaria de receber a visita de um padre para receber a extrema unção (unção dos enfermos), pois tem certeza de que ''vai partir em breve''. A equipe, então, decide prescrever _______________ para a dor e _______________ para as náuseas; avaliar a  dimensão espiritual com o instrumento _______________ e _______________ a visita do padre para a extrema-unção.

Alternativas

  1. A) morfina │ haloperidol │FICA (fé, importância e influência, comunidade, ação no cuidado) │ Indicar imediatamente
  2. B) codeína associada a paracetamol │ domperidona │BDI (Inventário de Depressão de Beck) │ contraindicar, no momento da visita, e reavaliar em uma semana
  3. C) tramadol │ dimenidrinato │ HOPE (esperança, religião organizada, espiritualidade pessoal e prática, efeitos no tratamento médico) │ indicar após estabilização do quadro
  4. D) metadona │ ondansetrona │ GDS (escala de depressão geriátrica) │ indicar após avaliação da equipe de cuidados paliativos

Pérola Clínica

Dor oncológica intensa → opioide potente (morfina). Náuseas refratárias → haloperidol. Avaliação espiritual → FICA. Respeitar crenças → indicar extrema unção.

Resumo-Chave

Em cuidados paliativos, o manejo da dor e sintomas como náuseas e soluços refratários é prioritário. A abordagem deve ser multidisciplinar, incluindo suporte espiritual e respeito às crenças do paciente, que são pilares para a qualidade de vida.

Contexto Educacional

Em pacientes com câncer avançado em cuidados paliativos, o controle de sintomas é a prioridade máxima para garantir a qualidade de vida. A dor oncológica, frequentemente intensa, requer o uso de opioides potentes, como a morfina, que deve ser titulada cuidadosamente para alcançar o alívio. Náuseas, vômitos e soluços refratários são sintomas comuns e debilitantes que exigem uma abordagem farmacológica diversificada, com o haloperidol sendo uma opção eficaz para náuseas de diversas etiologias. A dimensão espiritual é um componente essencial do cuidado paliativo. Instrumentos como o FICA (Fé, Importância e Influência, Comunidade, Ação no Cuidado) auxiliam a equipe a compreender as necessidades espirituais do paciente e a oferecer suporte adequado, respeitando suas crenças e valores. A solicitação de um sacramento como a extrema unção (unção dos enfermos) por um paciente católico deve ser prontamente atendida, pois faz parte de seu conforto espiritual e direito. A abordagem multidisciplinar, que inclui médicos, enfermeiros, psicólogos, assistentes sociais e capelães, é fundamental para um cuidado paliativo integral. O objetivo é aliviar o sofrimento em todas as suas dimensões – física, psicológica, social e espiritual – garantindo dignidade e conforto ao paciente e sua família.

Perguntas Frequentes

Qual a primeira linha para dor oncológica intensa em cuidados paliativos?

Para dor oncológica intensa (intensidade 8/10), opioides potentes como a morfina são a primeira linha de tratamento, seguindo a escada analgésica da OMS. A dose deve ser titulada para alívio efetivo.

Como abordar náuseas e vômitos refratários à metoclopramida em pacientes paliativos?

Náuseas e vômitos refratários podem ser abordados com antieméticos de diferentes classes, como o haloperidol (um neuroléptico com ação antidopaminérgica), que é eficaz em náuseas de diversas etiologias, incluindo as de origem central ou metabólica.

O que é o instrumento FICA e qual sua importância na avaliação paliativa?

O FICA (Fé, Importância e Influência, Comunidade, Ação no Cuidado) é um instrumento para avaliação da dimensão espiritual e religiosa do paciente. Ele ajuda a equipe a compreender as crenças e valores do paciente, integrando-os ao plano de cuidados e oferecendo suporte adequado.

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