UFS/HU - Hospital Universitário de Sergipe - Aracaju (SE) — Prova 2020
Homem, 74 anos, performance status ECOG 2, com diagnóstico de Câncer de próstata, refratário ao tratamento hormonal, apresenta metástases ósseas. Encontra-se em tratamento com quimioterapia e bisfosfonato. Sua dor é inicialmente bem controlada com morfina de liberação prolongada, 60mg, 02X/dia e resgate com morfina de curta duração, além de prednisona 20mg/dia e dipirona 04g/dia. Atualmente sem controle adequado da dor. Qual das abordagens a seguir pode ser considerada a melhor opção no momento:
Dor oncológica refratária a opioides → Titular dose de morfina em 25-50% da dose diária total.
Em pacientes com dor oncológica bem estabelecida e em uso de opioides fortes, a primeira abordagem para dor não controlada é a titulação da dose do opioide. Aumentar a dose em 25-50% da dose diária total é uma prática segura e eficaz antes de considerar a troca para outro opioide ou a introdução de adjuvantes para dor nociceptiva pura.
A dor oncológica é uma das complicações mais debilitantes do câncer, afetando significativamente a qualidade de vida dos pacientes. Seu manejo adequado é crucial e baseia-se na escada analgésica da OMS, que preconiza o uso progressivo de analgésicos, incluindo opioides fortes para dor moderada a grave. Em pacientes com câncer de próstata metastático e metástases ósseas, a dor é frequentemente nociceptiva e pode ser exacerbada pela progressão da doença. A fisiopatologia da dor oncológica é complexa, envolvendo componentes nociceptivos (somáticos e viscerais) e neuropáticos. O diagnóstico de dor mal controlada é clínico, baseado na autoavaliação do paciente e na necessidade de doses de resgate. Quando um paciente já em uso de opioides fortes apresenta dor sem controle adequado, a primeira medida é otimizar a dose do opioide em uso, ajustando-a para cima, geralmente em 25% a 50% da dose diária total, antes de considerar outras intervenções. O tratamento da dor oncológica é multimodal, incluindo opioides, analgésicos não opioides, adjuvantes (como corticoides para dor óssea e inflamatória, ou gabapentinoides para dor neuropática) e terapias não farmacológicas. A titulação adequada dos opioides é fundamental para alcançar o controle da dor com mínimos efeitos adversos. A troca para metadona ou a introdução de pregabalina seriam opções válidas em etapas posteriores, após a otimização da morfina ou se houvesse um componente neuropático relevante não responsivo.
Dor oncológica mal controlada se manifesta pela persistência da dor apesar do uso de analgésicos, necessidade frequente de doses de resgate, impacto na qualidade de vida e no desempenho das atividades diárias.
A conduta inicial é aumentar a dose do opioide forte em uso (morfina, no caso) em 25% a 50% da dose diária total, avaliando a resposta e os efeitos adversos.
A troca de opioide ou a introdução de adjuvantes deve ser considerada após a otimização da dose do opioide atual, ou se houver efeitos adversos intoleráveis, ou se a dor tiver um componente neuropático significativo.
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