UESPI - Universidade Estadual do Piauí — Prova 2019
Paciente AFGC, 71 anos, masculino, deu entrada na enfermaria com diagnóstico prévio de adenocarcinoma prostático com metástase para ossos da bacia, queixando-se de dor intensa em região lombar que o impedia de deambular. Trazia exames: Hb 10,5; ht 31; Leuco 9850, plaquetas 120.000, ureia: 35, creatinina: 1,1, sódio : 132, potássio: 3,5, cálcio: 14,1. Diante o caso, qual esquema de analgesia é indicado para controle de dor?
Dor oncológica intensa (Escada OMS 3) → Opioide forte fixo + Resgate + Adjuvantes.
Pacientes com dor oncológica intensa e metástases ósseas requerem o 3º degrau da escada da OMS, utilizando opioides potentes como a morfina em horários fixos associados a doses de resgate para dor episódica.
O manejo da dor oncológica baseia-se na escada analgésica da Organização Mundial da Saúde (OMS). Para dores intensas (grau 3), o uso de opioides fortes como a morfina é mandatório. A administração deve ser preferencialmente por via oral, em intervalos fixos, respeitando a meia-vida da droga para manter níveis plasmáticos constantes. Além da dose fixa, é crucial prescrever doses de resgate para episódios de exacerbação da dor. No caso clínico, a presença de metástases ósseas e dor limitante justifica o salto direto para o terceiro degrau. A hipercalcemia associada (14,1 mg/dL) é uma emergência oncológica comum no câncer de próstata metastático que também contribui para o quadro clínico e deve ser tratada com hidratação vigorosa e bisfosfonatos, embora a questão foque especificamente no esquema de analgesia imediata.
A morfina é indicada para dor moderada a grave (escala visual analógica > 3-4) que não responde a analgésicos simples ou opioides fracos, ou diretamente como primeira linha em casos de dor oncológica classificada como intensa desde o início. Deve ser administrada preferencialmente por via oral em intervalos fixos.
A dose de resgate (breakthrough pain) geralmente corresponde a 10% a 15% da dose total diária do opioide que o paciente já utiliza. Ela deve ser prescrita para uso se necessário, podendo ser administrada em intervalos curtos (a cada 1 ou 2 horas) até o alívio da dor aguda.
A dipirona atua como um analgésico não-opioide adjuvante (Degrau 1). No manejo multimodal, ela é associada aos opioides para potencializar o efeito analgésico por diferentes mecanismos de ação, o que pode permitir o uso de doses menores de opioides e reduzir efeitos colaterais.
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