HEDA - Hospital Estadual Dirceu Arcoverde (PI) — Prova 2022
João Pedro tem 46 anos e trabalha como carpinteiro numa construtora. Chega à Unidade Básica de Saúde com dor lombar há dois dias de moderada intensidade, sem irradiação para outras partes do corpo. Refere que já teve quadro semelhante há cinco meses. Nega outros sintomas ou traumas no dorso. Ao exame físico, apresenta pressão arterial de 130 x 90 mmHg com ausculta cardíaca e pulmonar normais. Abdome e membros sem alterações e manobra de Laségue negativa. Considerando a abordagem de dor lombar apresentada no Tratado de Medicina de Família e comunidade, avalie as alternativas abaixo e assinale a afirmativa que apresenta a conduta mais adequada ao caso:
Dor lombar aguda inespecífica sem red flags: analgésicos/AINEs, relaxante muscular, manter atividade, NÃO repouso no leito, NÃO RX.
Em casos de dor lombar aguda inespecífica, sem sinais de alarme (red flags) ou radiculopatia (Lasègue negativo), a conduta inicial é medicamentosa (analgésicos, AINEs, relaxantes musculares) e a orientação para manter as atividades diárias, evitando o repouso prolongado no leito. Exames de imagem como a radiografia não são indicados rotineiramente nesta fase.
A dor lombar é uma das queixas mais comuns na prática médica, sendo a dor lombar aguda inespecífica a apresentação mais frequente. Caracteriza-se por dor na região lombar sem uma causa específica identificável, geralmente autolimitada. A abordagem inicial é crucial para evitar exames e tratamentos desnecessários, focando na melhora dos sintomas e na funcionalidade do paciente. A idade do paciente, embora importante, não é um critério isolado para exames de imagem sem outros sinais de alarme. O diagnóstico da dor lombar inespecífica é de exclusão, após afastar condições mais graves através da anamnese e exame físico detalhados, buscando os 'red flags'. A manobra de Lasègue negativa, como no caso, afasta radiculopatia significativa. O tratamento farmacológico inclui analgésicos simples (paracetamol), anti-inflamatórios não esteroides (AINEs) e, em alguns casos, relaxantes musculares. A amitriptilina é mais utilizada para dor crônica ou neuropática, não sendo a primeira escolha para dor aguda inespecífica. É fundamental orientar o paciente a manter-se ativo, evitando o repouso no leito, que pode prolongar a recuperação. O afastamento das atividades laborais pode ser necessário, mas sem restrição ao leito. Exames de imagem, como radiografias, são reservados para casos com sinais de alarme ou falha no tratamento conservador após um período razoável, geralmente 4-6 semanas. A comunicação e a educação do paciente sobre a natureza benigna da condição são pilares do manejo.
Sinais de alarme incluem idade <20 ou >50 anos com trauma, dor noturna ou em repouso, perda de peso inexplicada, febre, déficit neurológico progressivo, uso de corticoides, imunossupressão, história de câncer, infecção recente ou uso de drogas intravenosas.
A conduta inicial envolve analgesia com anti-inflamatórios não esteroides (AINEs) ou paracetamol, podendo-se associar relaxantes musculares. É fundamental orientar o paciente a manter suas atividades diárias o máximo possível e evitar o repouso prolongado no leito.
A radiografia da coluna lombar não é indicada rotineiramente para dor lombar aguda inespecífica. Ela deve ser considerada apenas na presença de sinais de alarme (red flags) que sugiram fratura, infecção, tumor ou outras condições graves.
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