Manejo da Dor em Paliativos: Desmistificando Opioides

Santa Casa de Alfenas - Casa de Caridade (MG) — Prova 2016

Enunciado

A Atenção à Saúde do Idoso deve envolver o estudo e controle de pacientes com doença ativa, progressiva e avançada, para quem o prognóstico é limitado e a assistência é voltada para a qualidade de vida. Os cuidados paliativos são cuidados totais ativos prestados a paciente com doença incurável que não responde a tratamento curativo. Neste contexto, não se encontra evidência para a afirmação:

Alternativas

  1. A) O objetivo é conduzir cuidados de higiene e conforto, aliviando a dor e controlando qualquer outro sintoma que cause sofrimento.
  2. B) Os pacientes com incapacidade cognitiva podem demonstrar desconforto através de mudança de comportamento, agitação, expressão facial, isolamento, instabilidade dos sinais vitais, choros e gemidos.
  3. C) São considerados emergências em cuidados paliativos e deverão ser encaminhados ao pronto atendimento, entre outros: a fratura patológica, a retenção urinária, o aumento da pressão intracraniana, a hemorragia volumosa e a paranoia aguda.
  4. D) O controle da dor deve envolver o uso de analgésicos não-opiáceos e medicamentos adjuvantes. Os opiáceos devem ser evitados devido a evidências de dependência física e psicológica, a depressão respiratória, estando associados a excesso de sedação e aceleração da morte.

Pérola Clínica

Opioides são essenciais no controle da dor em Cuidados Paliativos; o risco de dependência é baixo em pacientes com dor oncológica ou crônica não-oncológica grave.

Resumo-Chave

A afirmação de que opioides devem ser evitados em Cuidados Paliativos é um mito comum. Na verdade, são a base do tratamento da dor moderada a intensa, e o risco de dependência é mínimo quando usados para dor real, enquanto a depressão respiratória é rara com titulação adequada.

Contexto Educacional

O manejo da dor é um pilar fundamental dos Cuidados Paliativos, especialmente na atenção à saúde do idoso com doenças avançadas. A dor não controlada impacta severamente a qualidade de vida, o sono, o apetite e o bem-estar geral. A Organização Mundial de Saúde (OMS) estabeleceu uma escada analgésica que orienta o uso progressivo de analgésicos, começando por não-opioides, passando por opioides fracos e, finalmente, opioides potentes, sempre com a adição de adjuvantes quando necessário. A fisiopatologia da dor em pacientes paliativos é multifatorial, envolvendo componentes nociceptivos e neuropáticos. O diagnóstico e a avaliação da dor devem ser contínuos e individualizados, considerando a capacidade de comunicação do paciente, especialmente em idosos com incapacidade cognitiva, que podem manifestar desconforto através de mudanças comportamentais. A suspeita de dor deve levar a uma intervenção imediata para alívio. O tratamento da dor em Cuidados Paliativos prioriza o uso de opioides para dor moderada a intensa. É um erro comum e um mito que os opioides devem ser evitados devido ao risco de dependência ou depressão respiratória. Em pacientes com dor oncológica ou crônica grave, o risco de dependência é mínimo, e a depressão respiratória é rara com titulação cuidadosa. O objetivo é o alívio eficaz da dor, melhorando a qualidade de vida, sem que isso signifique acelerar a morte. Emergências em cuidados paliativos, como fraturas patológicas ou retenção urinária, requerem encaminhamento e manejo específico, mas o controle da dor é uma prioridade constante.

Perguntas Frequentes

Qual a importância dos opioides no manejo da dor em Cuidados Paliativos?

Os opioides são a base do tratamento da dor moderada a intensa em Cuidados Paliativos, conforme a escada analgésica da OMS, proporcionando alívio eficaz e melhorando significativamente a qualidade de vida do paciente.

O uso de opioides em pacientes paliativos causa dependência ou acelera a morte?

Em pacientes com dor real, o risco de dependência psicológica é muito baixo. A depressão respiratória é rara com titulação adequada e não há evidências de que opioides, quando bem indicados, acelerem a morte; pelo contrário, aliviam o sofrimento.

Quais são os principais efeitos adversos dos opioides e como manejá-los?

Os efeitos adversos mais comuns são constipação, náuseas, vômitos e sedação. A constipação deve ser prevenida proativamente, e os outros sintomas geralmente diminuem com o tempo ou podem ser controlados com medicamentos adjuvantes.

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